- Bolívia vive mais de três semanas de protestos com bloqueios de estradas e desabastecimento em La Paz, pressionando o presidente de centro-direita Rodrigo Paz.
- Inicialmente por salários e preço dos combustíveis, a pauta foi tomada por apoiadores de Evo Morales, que tem mandado de prisão por tráfico humano agravado e abuso sexual de menor.
- Os bloqueios se espalharam por La Paz, Oruro, Potosí, Cochabamba, Chuquisaca e Santa Cruz, isolando a capital e provocando escassez de alimentos, combustível e insumos médicos.
- O governo Paz anunciou cortes de gastos e busca diálogo; Morales acusa perseguição política, enquanto Estados Unidos e aliados enviam ajuda humanitária ao país.
- A crise humanitária já deixou mortes por atraso no atendimento médico; há tensão crescente e debate sobre eventual estado de exceção no Congresso.
A Bolívia vive ainda há mais de três semanas uma onda de manifestações que bloqueiam estradas em várias regiões. A pressão política recai sobre o presidente de centro-direita Rodrigo Paz, eleito no ano passado, enquanto os bloqueios geram escassez de comida, combustível e itens hospitalares em La Paz. Parte dos atos ganhou sustentação de apoiadores de Evo Morales, alvo de mandado de prisão.
As paralisações começaram como protestos trabalhistas contra salários e o custo de vida, agravados pela crise econômica herdada do governo anterior. O governo Paz já havia adotado medidas de contenção, mas o movimento ganhou força ao se alinhar à pauta de Morales, transformando-se em desafio político ao Executivo.
O mandado de prisão contra Morales, acusado de tráfico humano agravado e abuso sexual de menor, impulsiona a presença de seus seguidores nos atos. Bases no Trópico de Cochabamba afirmam manter apoio ao ex-presidente e protestam para evitar sua prisão, ampliando os bloqueios para além de La Paz.
O movimento se estende a Oruro, Potosí, Cochabamba, Chuquisaca e Santa Cruz, isolando a capital. Em Chimoré, o aeroporto foi interditado com objetos na pista por temer a prisão de Morales. Líderes dos protestos reiteram que não recuarão sem garantias de apoio político à oposição.
O governo Paz acusa Morales de usar os protestos para evitar a Justiça. Embaixadas e analistas divergem sobre o papel do ex-presidente, com alguns apontando manobra para manter influência política enquanto a violência aumenta. Morales nega, afirmando atuar como líder da oposição e defender eleições.
Nos Estados Unidos, autoridades sinalizam apoio ao governo Paz. O país enviou ajuda humanitária à Bolívia, enquanto a coalizão regional Escudo das Américas condena os bloqueios e defende a ordem constitucional. Grupos de ex-presidentes de direita pedem atuação da OEA para preservar a democracia.
A crise tem impactos severos à população. La Paz e El Alto enfrentam desabastecimento de alimentos, combustíveis e oxigênio hospitalar, levando hospitais a reduzir atendimentos. Quatro mortes já foram registradas em decorrência da demora no acesso a tratamentos médicos.
Tentativas de corredor humanitário entre El Alto e Oruro falharam após confrontos com manifestantes. Um civil morreu durante o confronto. Organizações internacionais de defesa da infância destacam riscos à saúde mental de crianças expostas à violência.
O Senado aprovou proposta que flexibiliza o estado de exceção, permitindo maior uso de forças de segurança. A medida ainda depende de Câmara. Especialistas alertam que o instrumento pode ampliar tensões e concentrar poder no Executivo.
Paz anunciou redução de 50% em seus salários e no dos ministros, além de encontros com organizações sociais para discutir medidas econômicas. Embora haja sinalizações de diálogo, líderes de Morales reforçam a resistência aos bloqueios sem garantias políticas.
Para analistas, a continuidade dos bloqueios depende de ações de Morales e de respostas estratégicas do governo. O cenário permanece sem adesão a um acordo que encerre as manifestações, mantendo a Bolívia em situação de crise política e social.
Contexto econômico e impasse político seguem como as informações centrais, sem previsões de solução imediata. As partes ainda não chegaram a um acordo que permita desbloquear as vias e restabelecer serviços públicos essenciais.
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