- O ex-presidente Joe Biden abriu um processo contra o Departamento de Justiça dos Estados Unidos para impedir a divulgação de entrevistas que ele fez com o ghostwriter de sua biografia, classificando o material como informações privadas.
- O governo de Donald Trump sustenta que as conversas podem conter detalhes sobre a suposta deterioração cognitiva de Biden.
- O procurador especial Robert Hur obtive as gravações e transcrições no âmbito de uma investigação sobre retenção indevida de documentos confidenciais por Biden.
- Hur afirmou, com base em gravações, que a memória de Biden parecia ter limitações significativas e descreveu as entrevistas como lentas, com dificuldades para lembrar eventos e para ler suas próprias anotações.
- Parlamentares republicanos e o Heritage Foundation pediram as gravações, citando possíveis evidências para a defesa de impeachment, enquanto o DOJ inicialmente se opôs à divulgação.
O ex-presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, entrou com um processo contra o Departamento de Justiça para evitar a divulgação de entrevistas que ele realizou com o ghostwriter de sua biografia. O recurso sustenta que o material é privado e não deve ser tornado público. A ação foi movida na quarta-feira, 27, nos EUA.
O processo ocorre no contexto de investigações sobre a retenção de documentos confidenciais envolvendo Biden. O procurador especial Robert Hur já obteve gravações e transcrições relacionadas ao caso, mas não indicou acusações formais contra o então presidente. As entrevistas, no entanto, estão no centro das disputas sobre o conteúdo potencialmente sensível.
Após a posse de Donald Trump na Casa Branca, no ano passado, o Departamento de Justiça acusou o governo anterior de tentar ocultar gravações que mostrariam um possível declínio cognitivo de Biden. Em 2024, Republicans e o Heritage Foundation solicitaram o acesso às entrevistas para a biografia, com a promessa de torná-las públicas até 15 de junho.
Sobre o livro, as informações envolvem a obra Promessa de pai: Um ano de sofrimento, esperança e determinação, publicada pela Cia. Das Letras em 2020. Biden conversou com o coautor Mark Zwonitzer sobre eventos ligados à morte do filho Beau, em 2015. O relatório de Hur aponta que Biden fez referências a anotações de sua vice-presidência, algumas consideradas confidenciais.
Segundo o procurador especial, a memória de Biden apresentaria limitações significativas nas entrevistas gravadas com Zwonitzer, com relatos de dificuldade para recordar fatos e para ler suas próprias anotações. O documento gerou polêmica em Washington, elevando especulações sobre a aptidão de Biden para a presidência, ainda que ele tenha 83 anos.
Parlamentares republicanos passaram a pedir impeachment e três comissões do Congresso requisitaram as gravações da biografia como evidência. O Departamento de Justiça, que chegou a resistir ao pedido, passou a sustentar a necessidade de transparência para o público.
Na defesa, os advogados de Biden sustentam que o material está protegido pela Lei de Privacidade e que sua divulgação violaria a Lei de Procedimento Administrativo. Eles ainda alegam que houve uso inadequado de justificativas para expor conversas privadas do ex-presidente.
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