- Vladimir Putin afirmou que os Brics, com seus PIBs somados, já superam o do G‑7, com participação de 37,4% no PIB global em 2023, contra 29,3% do G‑7, e que essa diferença tende a aumentar.
- O bloco expandiu-se de forma significativa em 2023 com a entrada de seis membros (Egito, Etiópia, Emirados Árabes Unidos e Irã formalmente, além de novidades futuras) e seguirá com a possível entrada da Indonésia em 2025; Argentina cancelou sua adesão, e a Arábia Saudita não confirmou oficialmente ainda.
- Em Nova Délhi, a cúpula de ministros das Relações Exteriores dos Brics terminou sem uma posição comum sobre a guerra no Irã; o Irã pediu condenação aos Estados Unidos e a Israel, mas houve bloqueio de uma declaração conjunta por causa de relações especiais com esses países.
- Acordos entre Egito e Etiópia sobre cooperação marítima e acesso ao mar ressaltam a disputa hídrica no Nilo Azul, com o Egito manifestando preocupação com a segurança hídrica enquanto as negociações permanecem tensas.
- Especialistas destacam que as divergências entre os novos membros evidenciam a diferença entre Brics e G‑7: o bloco é mais econômico e menos coeso politicamente, o que dificulta uma agenda comum e pode reduzir sua influência global.
O Brics encara tensões internas que desafiam a ideia de competir com o G7. Em vésperas da cúpula de 2024, em território russo, Vladimir Putin afirmou que a soma do PIB dos Brics já supera o do grupo das sete maiores economias. Segundo ele, em 1992 as participações eram 45,5% (G7) e 16,7% (Brics) em PPC; em 2023, o Brics ficou com 37,4% do PIB global, e o G7 com 29,3%. A aposta é de que os Brics se tornarão motores do crescimento mundial.
A expansão do bloco, impulsionada por Rússia e China, ocorreu em 2023, em Joanesburgo. Egito, Etiópia, Emirados Árabes Unidos e Irã ingressaram formalmente em janeiro de 2024. O Brics já era composto por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul e mira novas adesões, incluindo a Indonésia para 2025. Argentina e Arábia Saudita tiveram novos episódios: a Argentina cancelou a adesão; a Arábia Saudita ainda não oficializou a entrada.
Dúvidas sobre alinhamentos e posição comum
Na prática, divergências já existiam entre os integrantes. A expansão de 2024 elevou dificuldades de coesão frente a temas sensíveis. No fim de março, a cúpula de chanceleres em Nova Délhi terminou sem consenso sobre a guerra no Irã. O Irã pediu uma condenação aos EUA e Israel, e atribuiu a um membro dos Brics o bloqueio de uma declaração conjunta, em referência aos Emirados Árabes.
Em abril, os Emirados Árabes atribuíram ao Irã danos de ataques na região, com Teerã afirmando que apenas mirou bases dos EUA e de Israel. Reportes do Wall Street Journal indicaram que Abu Dhabi realizou operações militares contra o Irã no início de abril. As informações reforçam as tensões entre aliados regionais dentro do Brics.
Desafios entre novos integrantes e capacidades de atuação
Entre os novatos, Egito e Etiópia mantêm atritos históricos pelo uso do Nilo Azul. O Egito teme a segurança hídrica, visto que o Nilo Azul abastece grande parte do curso principal. Em 16 de abril, autoridades egípcias selaram cooperação com a Eritreia em transporte marítimo, sinalizando alinhamento estratégico diferente do da Etiópia.
Especialistas destacam que o Brics funciona por consenso e não assume caráter militar ou político formal. A percepção de um bloco econômico com interesses nacionais diversos tende a dificultar posições conjuntas em conflitos e segurança internacional. O bloco, portanto, pode atuar como polo econômico alternativo, mas não como substituto do G7.
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