- Ghana saudou o pedido de perdão do Papa pela atuação histórica da Igreja na escravização, chamando-o de ato de coragem moral e passo rumo à verdade, à dignidade humana e à justiça.
- O pedido foi publicado na encíclica Magnifica Humanitas, primeira grande instrução do pontificado, que também aborda os perigos da inteligência artificial.
- Ghana foi um importante polo do comércio transatlântico de escravos; entre os séculos XVI e XIX, de 12 a 15 milhões de africanos foram enviados para o Caribe, e cerca de dois milhões morreram na travessia.
- O governo ghanaense disse que o reconhecimento do passado doloroso é significativo para a cura, reconciliação e uma sociedade mais justa, em linha com uma resolução da ONU.
- A Ghana deverá sediar, em junho, um conference para discutir os próximos passos após a adoção da resolução da ONU, fruto de esforços do país e da União Africana.
Ghana acolhe o pedido de desculpas do Papa pelo papel da Igreja Católica na escravidão. O país descreveu o gesto como um ato de coragem moral que ajuda a promover verdade, dignidade humana e justiça, em nível global.
O Papa Leo XIV publicou a desculpa em seu primeiro grande documento de ensinamento da sua era, encíclica intitulada Magnifica Humanitas. O texto também aborda os riscos da inteligência artificial, segundo relatos da imprensa.
Ghana foi um polo central do tráfico transatlântico de escravos, com milhões de africanos capturados e embarcados para as Américas entre os séculos XVI e XIX. Estima-se que 12 a 15 milhões foram enviados; cerca de 2 milhões morreram na travessia.
Reconhecimento e contexto internacional
O governo de Gana há muito trabalha por compensações e pedidos de desculpas de potências ocidentais pelo tráfico. Em comunicado divulgado na terça-feira, o país afirma que o reconhecimento da história dolorosa é passo crucial para cura, reconciliação e justiça.
A declaração ghanaense ressalta que o apelo por verdade e responsabilidade moral reforça o entendimento global de que injustiças históricas exigem esse enfrentamento. A encíclica é vista como marco nesse processo.
Gana também lembrou sua atuação recente em âmbito internacional. Em março, apoiou uma resolução da ONU que reconhece o cativeiro africano como o “crime mais grave contra a humanidade”.
O país, que preserva fortalezas usadas para manter cativos, sediará em junho uma conferência para discutir próximos passos após a adoção da resolução.
Continuidade do debate e próximos passos
O governo de Gana participa do debate sobre reparações e responsabilização histórica. A reunião de junho deverá debater caminhos para reparação, reconstrução social e combate à discriminação racial.
Autoridades de Ghana afirmam que o reconhecimento papal é relevante para um debate global mais aprofundado sobre consequências do passado. O objetivo é avançar com políticas públicas e medidas de justiça social.
O Vaticano não informou detalhes adicionais sobre a recepção oficial da mensagem no país. A imprensa local acompanha as próximas etapas diplomáticas envolvendo a Igreja e a comunidade internacional.
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