- Relatório da Human Rights Watch aponta que milhares de imigrantes cubanos deportados dos EUA enfrentam violações de direitos e vivem em “limbo jurídico” no México, com dificuldade de regularizar a situação e até acesso a atendimento médico.
- Dados usados no documento englobam deportações de janeiro de 2025 a março de 2025 e entrevistas com autoridades e imigrantes deportados, incluindo 41 cubanos.
- México foi o principal destino de deportações, com 12.977 pessoas; entre elas, o maior grupo é de cubanos, com 4.353 indivíduos.
- As entrevistas relatam detenções nos EUA durante consultas de supervisão ou após cumprir pena, em condições descritas como desumanas, além de perda de green cards por condenações.
- No México, cubanos enfrentam dificuldades para regularizar a vida, buscar asilo ou obter CURP, o que atrasa atendimento médico e cria um estado de limbo sem perspectivas rápidas de retorno a Cuba.
Milhares de imigrantes cubanos deportados dos Estados Unidos enfrentam violações de direitos e vivem em um “limbo jurídico” no México, aponta um relatório da Human Rights Watch (HRW) divulgado nesta quarta-feira, 27. O documento se baseia em dados de deportações de janeiro de 2025 a março deste ano e em entrevistas com autoridades e imigrantes deportados.
Segundo a HRW, desde o início do segundo mandato de Donald Trump, o governo dos EUA tem aumentado as deportações e enviado imigrantes para países que não são de origem. O México recebeu o maior contingente, com 12.977 casos, seguido por Honduras (1.352) e Canadá (1.066), segundo informações obtidas por meio da Lei de Liberdade de Informação.
Entre os deportados para o México, a maior parcela é de cubanos, totalizando 4.353 pessoas. A organização afirma ter entrevistado 41 cubanos, muitos vivendo nos EUA há décadas. Relatos indicam detenções durante visitas a consultas de supervisão com o Serviço de Imigração, em casa, a caminho do trabalho ou após cumprirem penas.
A HRW aponta que 35 entrevistados perderam o green card devido a condenações, principalmente por dirigir sob influência de álcool, falsificação de documentos ou infrações relacionadas a drogas. Outras prisões envolveram agressões ou acusações com armas. O documento ressalta que a ausência de acordos de deportação com Cuba levou muitos a permanecerem nos EUA, com permissões de trabalho e suporte familiar, até endurecimento da política migratória.
Mudanças na política de imigração
Desde o início do segundo mandato de Trump, a política de imigração tornou-se mais rígida. Cuban residents passaram a ser detidos com maior frequência, principalmente na Flórida, e enviados a centros onde teriam condições desumanas e restrições ao direito de contestar a deportação.
A CNN contatou o Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) e o Department of Homeland Security (DHS) dos EUA para comentar as acusações, sem resposta imediata no momento de divulgação.
Cenário no México e impacto humano
A HRW descreve que, após a deportação, cubanos chegam a cidades de fronteira mexicana como Tapachula, em Chiapas, e Villahermosa, em Tabasco. Sem documentos, enfrentam dificuldades para regularizar a situação e muitas pessoas buscam pedidos de asilo, processo lento e com aumento recente de números.
Relatos citados pelo relatório destacam dificuldades para obter atendimento médico, especialmente pela ausência de CURP, o código de identificação de residentes no México. Além disso, casos de doenças crônicas e violência de grupos criminosos foram mencionados por entrevistados.
Emiliano, cubano de 47 anos, relatou sentir-se preso em Villahermosa, com temor de violência local. Outras pessoas mencionaram episódios de detenção prolongada, isolamento e violência verbal e física em centros de detenção nos EUA, conforme o documento.
Perspectivas sobre retorno a Cuba
Os entrevistados pelo HRW indicam baixa probabilidade de retorno imediato a Cuba. Um cubano de 67 anos relatou ter sido informado pelo consulado cubano em Cancún de que não seria readmitido por estar fora do país há mais de 40 anos. Comentários oficiais de Cuba não foram fornecidos ao momento.
Entre na conversa da comunidade