- Irã recebeu um rascunho informal das bases de um possível acordo com os Estados Unidos, segundo a televisão estatal iraniana, nesta terça-feira, 27.
- Os termos citados preveem a restauração do tráfego pelo Estreito de Ormuz aos níveis pré-guerra dentro de um mês, com o Irã e Omã segurando a gestão da passagem.
- O acordo exigiria a retirada de forças americanas da proximidade do Irã e a suspensão do bloqueio naval ao país.
- A imprensa iraniana não mencionou o tema nuclear; o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores afirmou que o Irã não abrirá mão do urânio enriquecido.
- As negociações ocorrem em meio a uma escalada de tensões, com ataques de autodefesa dos EUA no sul do Irã e resposta da Guarda Revolucionária a drones e caças, segundo relatos de autoridades e da imprensa local.
O Irã revelou, nesta terça-feira (27), termos de um rascunho informal de possível acordo com os Estados Unidos. Segundo a emissora estatal, as bases incluem a restauração do tráfego no Estreito de Ormuz aos níveis pré-guerra em até um mês, com o Irã e Omã gerenciando a passagem. Os EUA teriam de retirar suas forças da região e suspender o bloqueio naval.
Segundo a agência Mizan, o documento também prevê que a navegação pela passagem seja operada em conjunto pelo Irã e Omã. Não houve menção, na imprensa iraniana, a um acordo sobre o programa nuclear, ponto central para o governo americano. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmail Baghaei, afirmou que questões nucleares não serão cedidas.
Baghaei reiterou que o Irã é signatário do TNP e tem direito ao uso pacífico da energia nuclear. Ele ressaltou que ajustes sobre urânio altamente enriquecido não podem ser discutidos no momento, citando divergências passadas que impediram consenso.
No início do conflito, o Irã possuía cerca de 440 kg de urânio enriquecido a 60%, segundo autoridades americanas, com potencial de ampliar rapidamente o teor até 90% para uso militar. Também havia aproximadamente uma tonelada de urânio a 20% e 8,5 toneladas a 3,6% para fins civis.
Tensão em alta
Na opinião do Centcom, as forças americanas realizaram ataques de autodefesa no sul do Irã para proteger tropas e instalações. O comunicado citou alvos de lançamento de mísseis e barcos que tentavam instalar minas, sem detalhar operações.
A Guarda Revolucionária Islâmica informou ter abatido um drone MQ9 Reaper que invadiu o espaço aéreo do Irã e afirmou ter aberto fogo contra caças F-35 e um drone RQ-4. O governo iraniano advertiu sobre violação de cessar-fogo e prometeu resposta a ações consideradas provocativas.
O Ministério das Relações Exteriores enfatizou violação do cessar-fogo na região de Hormozgan e condenou assédios navais contra navios iranianos, afirmando que a República Islâmica não deixará agressões sem resposta. Explosões também foram reportadas na cidade portuária de Bandar Abbas, próxima ao Estreito de Ormuz.
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