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Mulher mais procurada da Alemanha é condenada após viver em comunidade brasileira

Ex-integrante da RAF é condenada a treze anos de prisão por roubos qualificados, após décadas vivendo sob identidade falsa no Brasil

Daniela Klette acompanha audiência no Tribunal Regional de Verden, na Alemanha, ao lado de advogados
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  • Daniela Klette, ex-integrante da RAF, foi condenada a 13 anos de prisão por roubo qualificado, extorsão, sequestro e posse ilegal de armas, em crimes entre 1999 e 2016.
  • O veredicto foi proferido pelo Tribunal Regional de Verden, no norte da Alemanha, após julgamento de dezoito meses.
  • A condenação envolve seis acusações; promotores haviam pedido até 15 anos. Dois cúmplices ainda estão foragidos.
  • Klette viveu sob identidade falsa em Berlim, participou de uma comunidade brasileira ligada à capoeira e só foi identificada em fevereiro de 2024.
  • A ex-militante nega participação em um assalto a carro-forte em Cremlingen (Baixa Saxônia) que teria rendido 1,3 milhão de euros; a polícia encontrou armas, documentos falsos e dinheiro no imóvel em que foi presa.

A ex-integrante da RAF, Daniela Klette, foi condenada a 13 anos de prisão por crimes cometidos após a dissolução do grupo. Ela já era considerada uma das mulheres mais procuradas da Alemanha. A sentença foi proferida pelo Tribunal Regional de Verden, após um julgamento que durou 14 meses e exigiu forte esquema de segurança.

Klette, hoje com 67 anos, foi considerada culpada por seis acusações entre 1999 e 2016, incluindo roubo qualificado, extorsão, sequestro e posse de armas. Segundo investigadores, os crimes visavam financiar a vida clandestina de ex-membros da RAF após o fim formal da organização.

A defesa sustenta que o julgamento teve motivação política. A acusada não reconhece participação nos crimes, mas reconhece o trauma causado às vítimas. O ministério público havia pedido pena máxima de 15 anos.

Identidade brasileira

A ex-terrorista viveu mais de 30 anos sob identidade falsa em Berlim, conhecida entre amigos como Cláudia Ivone. Ela integrava uma comunidade brasileira ligada à capoeira no bairro de Kreuzberg, onde morava há cerca de duas décadas.

Em entrevista à WDR, Emerson Gomes da Silva, brasileiro que conviveu com a ex-militante, afirmou que ela evitava falar do passado e chamava o passado de segredo. A prisão ocorreu em fevereiro de 2024, após identificação em imagens públicas na internet.

A Polícia encontrou no apartamento de Klette um amplo arsenal, documentos falsificados, perucas, ouro e cerca de 240 mil euros em dinheiro. Vestígios de DNA dos cúmplices foragidos foram localizados, inclusive em uma escova de dentes elétrica.

A ex-militante também responde a processos em Frankfurt por atentados ocorridos no início dos anos 1990, quando a RAF ainda atuava. O prazo para julgar participação na organização expirou em 2018, vinte anos após a dissolução.

O legado da RAF

Criada na época de 1968, a RAF ficou conhecida como grupo Baader-Meinhof. A organização promoveu ataques contra o Estado alemão entre as décadas de 1970 e 1990, com ações que resultaram em dezenas de mortes e feridos. Entre os episódios mais lembrados estão o sequestro de um avião em 1977 e o assassinato de Alfred Herrhausen, em 1989.

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