- A ONU afirmou que as ações das tropas israelenses perto da linha amarela em Gaza podem configurar assassinatos ilegais e, portanto, crimes de guerra, conforme o Escritório de Direitos Humanos.
- Até 5 de fevereiro, foram 453 mortes desde o cessar-fogo, sendo 152 palestinos próximos à fronteira com o Hamas (102 homens, 15 mulheres, 24 meninos e 11 meninas).
- O Exército de Israel sustenta que os disparos perto da linha visam impedir ameaças de militantes, e não comentou imediatamente as acusações.
- Israel ampliou a zona de controle militar ao longo de Gaza, cobrindo quase dois terços do território, com blocos de concreto deslocados para o interior do território controlado pelo Hamas.
- O plano de cessar-fogo mediado por Donald Trump previa retirada gradual das tropas, mas não houve movimentação nesse sentido até o momento, enquanto deslocados vivem em acampamentos próximos à linha amarela.
O Escritório de Direitos Humanos da ONU aponta que há evidências de possíveis crimes de guerra cometidos por Israel, ligadas a mortes ocorridas perto da linha amarela que delimita a zona de armistício com o Hamas na Faixa de Gaza. Segundo a ONU, cerca de um terço dos palestinos mortos desde o cessar-fogo estavam nessas áreas, o que eleva preocupações sobre ataques a civis apenas pela proximidade ao marco.
A agência analisou que ações assim poderiam configurar assassinatos ilegais, qualificando-as como crimes de guerra. O Exército de Israel informou que os disparos em áreas próximas à linha visam impedir ameaças de militantes, sem emitir comentário imediato sobre as conclusões da ONU.
A fronteira de armistício com o Hamas foi marcada com uma linha amarela no solo, reforçada por blocos de concreto. Tropas israelenses atuam a leste dessa linha, enquanto o Hamas controla boa parte da faixa costeira. Em muitos casos, blocos são deslocados para dentro do território controlado pelo Hamas, ampliando a zona de controle militar.
Expansão do controle e impactos
O governo israelense tem aumentado a área sob controle militar, o que eleva a tensão entre deslocados em acampamentos e residências próximas à linha. Pessoas deslocadas relatam ficar presas em espaços cada vez mais confinados, com receio de serem atingidas caso permaneçam nas proximidades da linha.
Dados exclusivos da ONU, até 5 de fevereiro, apontam 453 mortes confirmadas desde o cessar-fogo, das quais 152 eram palestinos próximos à fronteira. Entre as vítimas estão 102 homens, 15 mulheres, 24 meninos e 11 meninas, segundo a organização.
Ajith Sunghay, chefe do Escritório de Direitos Humanos da ONU no território, afirmou que as informações disponíveis sugerem que civis estariam sendo atingidos por estarem próximos à linha amarela, o que configuraria crime de guerra. Ele enfatizou que muitos civis não representavam risco militar aparente.
As autoridades israelenses não divulgaram uma posição sobre as conclusões da ONU. A situação em Gaza segue marcada por tensões entre medidas de segurança israelenses e a proteção de civis, com a comunidade internacional acompanhando de perto os desdobramentos.
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