- Soldados na Ucrânia recorrem a estimulantes e opioides para aliviar dores, evitar sono, suprimir o medo e continuar lutando.
- O uso ocorre de ambos os lados do front, em um conflito que já dura há anos, com dependência química se tornando problema crescente.
- Relatos de soldados, como Dmytro e Stanislav, destacam como a dor, o trauma e a falta de apoio em saúde mental levam ao uso de substâncias, inclusive metadona.
- Especialistas alertam que a dependência pode acompanhar os combatentes após o fim do conflito, com impacto na vida civil e na saúde mental.
- Falta apoio para veteranos, com lacunas em serviços de reabilitação e psicologia; o uso de drogas continua proibido nas forças, sujeitando flagrantes a punições.
Soldados na Ucrânia recorrem a drogas para suportar o conflito, em curso há quase cinco anos. Estimulantes e opioides são usados para aliviar dor, evitar o sono, reduzir o medo e manter o serviço ativo em linha de frente. O uso ocorre em ambos os lados do front.
Especialistas mostram que a dependência química cresce com a prolongação dos combates e com o estresse extremo. A automedicação envolve substâncias que atenuam traumas, mas também geram riscos de saúde e prejudicam a atuação militar.
O relato de um oficial ucraniano em recuperação evidencia a Normalização provisória do uso de analgésicos e substâncias potentes entre tropas expostas a ferimentos repetidos e longos períodos de missão. A prática persiste mesmo com restrições formais.
Substâncias e padrões de uso
- Estimulantes são usados para manter a vigília e o desempenho em missões prolongadas.
- Opioides aparecem como analgésicos potentes para ferimentos, com manejo inadequado em campo.
- A combinação de álcool com drogas também é citada por especialistas como comum entre combatentes.
Na visão de profissionais de saúde, a dependência pode acompanhar os soldados após o fim do conflito, agravando traumas e complicando reabilitação. O cenário atual envolve pouca rotatividade entre unidades e continuidade de combate.
Ihor Alferow, psicoterapeuta com atuação militar, aponta que a exposição prolongada altera a biologia dos combatentes e reduz o interesse em família, casa ou carreira. Além de tratamento médico, há necessidade de apoio psicoterapêutico.
Traumas, dor e acesso a tratamento
A tríade trauma, dor crônica e transtornos mentais leva muitos soldados a buscar alívio externo. Em casos de ferimentos graves, a dor persiste e a busca por alívio pode reincidir no uso de substâncias.
Dmytro descreve a progressão: após o primeiro ferimento, analgésicos aliviam temporariamente; ao retornar ao serviço, a dor volta, levando ao uso de medicamentos mais potentes. O caminho inclui metadona administrada de forma não oficial.
O governo tem avançado pouco com políticas estruturais de apoio a veteranos. Falta acesso a serviços de saúde mental, espaços de acolhimento e redes de reabilitação para quem retorna da linha de frente.
Desafios para o apoio aos veteranos
Especialistas estimam que metade dos militares em combate já teve algum tipo de experiência com drogas. O uso costuma começar com álcool e evolui para outras substâncias, incluindo opioides.
As práticas de dispensação no front permanecem informais: há tolerância proposital desde que o desempenho no serviço não seja afetado. Tal laxismo contrasta com a rigidez de sanções para uso detectado.
A participação de autoridades em ações de apoio a pacientes com dependência química é recente, com iniciativas piloto voltadas a veteranos. Enquanto isso, as Forças Armadas mantêm norma de proibição ao uso de drogas.
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