- Soldados de ambos os lados da guerra na Ucrânia recorrem a estimulantes e opioides para lidar com dor, medo e traumas, prática que se intensificou conforme o conflito se estende.
- No lado ucraniano, a permanência prolongada na linha de frente desde 2022, recrutamento insuficiente e ausência de plano de demobilização contribuem para o uso continuado de substâncias.
- Históricos de guerras mostram uso de drogas para manter o funcionamento; especialistas alertam que a dependência pode acompanhar os combatentes após o fim do conflito.
- Traumas múltiplos e dor crônica levam ao consumo de drogas; relatos destacam uso de analgésicos e metadona circulando entre tropas.
- Falta de apoio aos veteranos é apontada como problema central: há poucos serviços de saúde mental na vida civil e, apesar de piloto governamental, o uso permanece proibido nas Forças Armadas e pode trazer punições.
Soldados na Ucrânia recorrem a drogas para suportar a guerra, que já completa cinco anos. Estimulantes e opioides são usados para tratar dores, reduzir o sono e despertar resistência emocional, de acordo com relatos de combatentes e especialistas.
O uso envolve tanto militares ucranianos quanto relatos de desertores. Soldados descrevem dependência e automedicação como problemas crescentes, agravados pela exposição prolongada ao front e pela fragilidade do suporte em saúde mental.
Desde o início da invasão em 2022, muitos agentes ficam meses em linha de frente sem descanso. Estima-se que a falta de desmobilização contribua para a continuidade do consumo de substâncias entre as tropas.
Contexto histórico
Especialistas lembram que o uso de drogas já ocorreu em guerras anteriores, incluindo a Segunda Guerra Mundial e conflitos no Vietnã. A prática persiste como resposta à dor física e ao estresse psicológico.
Dmytro, oficial ucraniano em recuperação, conta que o uso começou com analgésicos, evoluindo para metadona, ligada a uma cadeia de abastecimento informal entre as tropas. O objetivo seria atenuar o trauma e manter funcionamento.
Stanislav, que participou de ações na região de Zaporíjia, desertou há dois anos. Hoje vive escondido e em tratamento, destacando que a metadona oferece distanciamento temporário da ansiedade e dos horrores da guerra.
Apoio a veteranos
A Health Solutions aponta que muitos combatentes sofrem com dor crônica e transtorno de estresse pós-traumático, o que dificulta a recuperação apenas com medicamentos padrão. A organização defende tratamento farmacológico aliado à psicoterapia.
Victoriia Tymoshevska, diretora-executiva, afirma que o uso de substâncias costuma começar na linha de frente e pode persistir após a alta hospitalar, com dificuldades de reintegração social e familiar.
Para parte das tropas, a droga é aceita informalmente desde que não comprometa o desempenho ou o cumprimento de missões. A especialista ressalta que faltam serviços de saúde mental e de reabilitação para veteranos.
O governo inclui, recentemente, um programa-piloto de apoio a soldados com dependência química. Enquanto isso, o uso de drogas continua proibido nas Forças Armadas, com possível punição para flagrantes.
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