- O hotel Bamy, em Malabo, Equatorial Guinea, está sendo usado como prisão para migrantes deportados dos Estados Unidos, sob um acordo de 7,5 milhões de dólares com a administração Trump.
- Pelo menos 32 pessoas já passaram pelo local desde novembro; 25 foram forçadas a retornar aos seus países de origem na África.
- Os migrantes relatam pressões para deixar o país e serem enviados de volta, com autoridades perguntando onde está o passaporte.
- Países com acordos semelhantes recebem deportados para reforçar relações com os EUA, segundo observadores; Equatorial Guinea é classificado como regime autoritário.
- Organização das Nações Unidas e agências humanitárias pedem que o país interrompa os retornos e cumpra padrões internacionais de direitos humanos.
O hotel Bamy, localizado em Malabo, na ilha de Bioko, Equatorial Guinea, abriga, desde o fim do ano passado, migrantes deportados dos Estados Unidos. O local, de propriedade da família do presidente Teodoro Obiang, funciona como etapa de uma acordo financeiro de US$ 7,5 milhões com a administração de Washington.
Segundo relatos de pessoas presas e de advogados, pelo menos 32 migrantes já passaram pelo hotel desde novembro. Dentre eles, 25 foram forçados a retornar aos seus países de origem na África, ante a pressão de autoridades para deixarem o país. Os demais enfrentam insegurança quanto à continuidade do processo.
A imprensa internacional descreve o contexto como parte de uma estratégia dos EUA para deslocar deportações para terceiros países. Equatorial Guinea tem regime autoritário, o que dificulta visitas de jornalistas e auditorias independentes. O programa é alvo de críticas de especialistas em direitos humanos.
Contexto e pressão internacional
A imprensa informa que as autoridades locais costumam repetir pedidos de passaporte e de retorno aos países de origem, sob forte pressão psicológica. Organizações de direitos humanos alertam para riscos de perseguição ou violência nos países de origem.
Em 2026, especialistas da ONU em direitos humanos publicaram um apelo ao governo de Malabo para interromper as devoluções de migrantes aos seus países, citando risco de violência, tortura e morte. O documento foi assinado por representantes de agências da ONU, incluindo a Organização Internacional para as Migrações e o Alto Comissariado da ONU para Refugiados.
Reação e próximos passos
O Departamento de Estado dos EUA não comentou os detalhes do acordo com a Equatorial Guinea. O governo de Obiang não respondeu aos pedidos de posicionamento. Representantes de agências da ONU visitaram o hotel em novembro, prometeram retorno aos deportados, mas não houve continuidade.
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