- Historiador Célio Alcantara Silva identifica William Hezekiah Forrest, conhecido como Bill nos EUA e Guilherme no Brasil, como um dos últimos traficantes de escravizados a atuar no Brasil, passando pelo interior de São Paulo.
- Forrest era irmão do general confederado Nathan Bedford Forrest, primeiro líder da Ku Klux Klan, e há indícios de sua passagem pelo Brasil entre 1870, conforme cartas diplomáticas britânicas.
- A menção ocorreu em pesquisa publicada em 2024 na revista Bulletin of Latin American Research, que traz pela primeira vez a pista da presença de Forrest no Brasil.
- O contexto envolve a época de transição entre a escravidão nos Estados Unidos e as restrições no Brasil, com o país consolidando leis para coibir o tráfico, como a Lei Eusébio de Queirós, de 1850, que reduziu fortemente o tráfico transatlântico.
- Autoridades locais e especialistas apontam que não há confirmação definitiva de registros oficiais de William Hezekiah Forrest em Santa Bárbara d’Oeste, e não há informações disponíveis nos arquivos consultados.
William Hezekiah Forrest, conhecido como Bill nos EUA e Guilherme no Brasil, era irmão do general confederado Nathan Bedford Forrest, primeiro líder da Ku Klux Klan. O caso investigado envolve um dos últimos registros de tráfico transatlântico de escravizados para o Brasil.
O historiador Célio Antonio Alcantara Silva aponta que Forrest teria passagem pelo interior de São Paulo, após o fim da escravidão nos EUA e já com sua proibição no Brasil. A identificação envolve cartas diplomáticas britânicas e depoimentos de imigrantes na região de Santa Bárbara, hoje Piracicaba.
Quem foi Bill Forrest
Silva destaca que Bill era major do Exército Confederado e figura ligada a atividades de tráfico de escravizados antes de 1865. A investigação cita relatos de que um Guilherme, tal como Forrest era registrado pelo cônsul britânico, morava na propriedade da viúva Barbe, em Santa Bárbara. A narrativa levanta a hipótese de identidade entre Guilherme brasileiro e William Forrest.
Contexto histórico e consequências
A imigração confederada para o Brasil ocorreu entre 1866 e 1870, com participação de líderes de alto escalão da Confederação. Estimativas indicam que milhares de ex-soldados buscaram o Brasil após a Guerra de Secessão, em busca de reconstruir condições do Sul escravista. O episódio reforça a relação entre o período e a política de tráfico no Atlântico. Além disso, a Lei Eusébio de Queirós, de 1850, tornou o tráfico mais restrito, contribuindo para o declínio das travessias, ainda que o Brasil já apresentasse restrições para imigração de escravos em várias regiões do país.
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