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Irmão do 1º líder da Ku Klux Klan foi traficante de escravizados no Brasil

Historiador aponta possível tráfego de William Forrest, irmão do líder da Ku Klux Klan, de escravizados para o Brasil (1866-1870)

William Hezekiah Forrest em um ferrótipo de quarto de placa por um fotógrafo anônimo
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  • William Hezekiah Forrest, chamado de Bill nos EUA e Guilherme no Brasil, era irmão do general confederado Nathan Bedford Forrest, líder da Ku Klux Klan.
  • Forrest é apontado como um dos últimos traficantes transatlânticos de escravizados a atuarem no Brasil, em período após a abolição nos EUA e durante a proibição do tráfico para o Brasil.
  • A descoberta foi feita pelo historiador Célio Antonio Alcantara Silva, em pesquisa publicada na revista Bulletin of Latin American Research em 2024.
  • O interesse no caso se dá no contexto da imigração confederada para o Brasil, associada a indivíduos de alto escalão da Confederação após a Guerra de Secessão.
  • Registros históricos citam cartas de um diplomata britânico mencionando Forrest e relatos de imigrantes que teriam visto Guilherme vivendo na região de Santa Bárbara, em São Paulo.

William Forrest, conhecido como Bill nos EUA e Guilherme no Brasil, é ligado a um dos últimos registros de tráfico transatlântico de escravizados para o Brasil. Segundo pesquisa recente, ele era irmão do general confederado Nathan Bedford Forrest, primeiro líder da Ku Klux Klan.

A descoberta foi apresentada pelo historiador Célio Alcantara Silva, da Universidade Federal do Tocantins. Em estudo publicado pela Bulletin of Latin American Research, ele aponta a passagem de Forrest pelo Brasil após o fim da escravidão nos EUA e antes da proibição do tráfico no Brasil.

De acordo com o pesquisador, Forrest atuou no interior de São Paulo, em localidades como Limeira e Constituição, hoje Piracicaba. O material cita cartas de diplomatas britânicos de 1870 que mencionam um brasileiro e um imigrante norte-americano ligados ao “Forrest” em território brasileiro.

A investigação insere o episódio no contexto da chamada crise da escravidão no Hemisfério Ocidental, em que o Brasil serviu de destino para confederados que mantinham a escravidão legalizada. Forrest estaria sob observação de autoridades brasileiras da época, sem confirmação definitiva de sua identidade.

A análise aborda ainda o histórico familiar: Forrest teria servido sob o irmão mais velho na Guerra de Secessão e, segundo biografias, foi personagem violento e audaz, com episódios registrados em Memphis e outras cidades. A família Forrest é citada como referência histórica pelo papel de Nathan Forrest na história dos EUA.

No Brasil, registros indicam que o nome Guilherme era a versão portuguesa de William, prática comum na época para estrangeiros. A pesquisa ressalta que, em 1871, o general Forrest foi ouvido por uma comissão do Congresso dos EUA sobre atividades do grupo no Brasil, sem esclarecer plenamente a identidade do compatriota mencionado nas cartas.

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