- Um ministro boliviano descartou oficialmente a renúncia do presidente Rodrigo Paz em meio aos protestos em massa.
- Ele disse à Reuters que apelos pela saída de Paz são antidemocráticos e que não respeitar instituições democráticas é como tentar um golpe.
- Os protestos, liderados por sindicatos e apoiadores de Evo Morales, têm interrompido ruas e bloqueado estradas, afetando o abastecimento.
- Paz avalia a possibilidade de estado de emergência para levar tropas às ruas, enquanto o governo busca manter o diálogo e garantir suprimentos essenciais.
- Instituições financeiras internacionais, como FMI, BID e CAF, disseram compreender a situação, destacando preocupação com a imagem do país.
Um ministro-chave do governo boliviano afastou a possibilidade de renúncia do presidente Rodrigo Paz diante da onda de protestos que já dura mais de um mês. Em entrevista à Reuters, ele afirmou que apelos pela saída do chefe do Executivo seriam antidemocráticos e observou a legitimidade das urnas de 2025.
Os protestos, liderados por sindicatos e apoiadores do ex-presidente Evo Morales, provocam bloqueios de estradas e interrupções de vias nas principais cidades, prejudicando a circulação de bens. Pequenas cidades próximas a La Paz e El Alto concentram grande parte das ações.
Na quarta-feira, Paz sinalizou medidas de emergência que poderiam levar tropas às ruas para restaurar a ordem, caso seja necessário. O governo afirma buscar o diálogo, mas admite avaliar opções para manter o abastecimento de combustível, alimentos e remédios.
Medidas e contexto
O ministro da Presidência, José Luis Lupo, ressaltou que desprezar instituições democráticas seria equivalente a um golpe. Ele lembrou que o presidente venceu as eleições com 55% dos votos e estimou cerca de 30 mil manifestantes ativos, contra 3,5 milhões de votos do partido governista no pleito anterior.
O governo central aponta que as operações de emergência e o apoio internacional são legais e podem ser acionados conforme a necessidade. Lupo citou apoio de instituições financeiras como o FMI, BID e CAF, destacando que entendem a situação.
Morales e setores oposicionistas argumentam que a estabilidade só voltará com a renúncia de Paz, e defendem medidas para reverter políticas de austeridade anunciadas pelo governo. A tensão cresce à medida que bloqueios dificultam o fluxo de mercadorias.
Paz assumiu o cargo em novembro, com promessas de ampliar o investimento privado estrangeiro nos setores de mineração, hidrocarbonetos, lítio e energia. O cenário atual coloca o governo diante de pressões internas e internacionais para preservar a ordem pública.
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