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Bolivianos recorrem a arroz com ovo devido a bloqueios e escassez

Após 29 dias de protestos, La Paz enfrenta escassez de alimentos; arroz com ovo vira opção diária diante da queda de frango, carne e verduras

Vendedoras ambulantes fazem panelaço em La Paz contra os protestos — Foto: AP/Juan Karita
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  • Após 29 dias de protestos em defesa da renúncia do presidente Rodrigo Paz, La Paz enfrenta escassez de frango, carne, verduras e frutas, levando famílias a recorrerem ao arroz com ovo.
  • O prato simples, tradicional em emergências, tornou-se rotina diária de muitas casas na capital boliviana, com carnes sendo racionadas e preço dos itens básicos aumentando.
  • A situação levou a medidas de ajuda humanitária, com o governo organizando pontes aéreas e tentativas de corredores humanitários, que enfrentaram conflitos com manifestantes.
  • Em Santa Cruz e Cochabamba, surgem reflexos da crise: frango vendido pela metade do preço e relatos de mortes de galinhas por falta de ração, indicando impacto na produção.
  • O governo afirma que a economia está abalada há anos e rejeita o uso de força para desobstruir estradas, prometendo diálogo, enquanto sindicatos pedem a revogação de mandados contra seus dirigentes.

O arroz com ovo virou alimento diário para milhares de famílias em La Paz, na Bolívia, após 29 dias de bloqueios e protestos que pedem a renúncia do presidente Rodrigo Paz. A cidade enfrenta escassez de frango, carne bovina, verduras e frutas, agravada pela paralisação de transportes e pela dificuldade de abrir caminhos para importação de itens básicos.

吞A crise impacta diretamente o orçamento doméstico. Em La Paz, o prato simples que costumava ser de reserva emergencial passou a compor a alimentação regular, com famílias misturando o arroz a salsicha para render mais. Ventilam-se relatos de racionamento de frango, que antes era consumido semanalmente.

Desdobramentos econômicos e sociais

A carne de frango, a mais barata no mercado boliviano, chegou a ter preço duplicado nos últimos dias. Ovos também subiram de preço, enquanto carnes bovina, verduras e frutas exibem elevações significativas, segundo relatos locais.

A cidade permanece cercada por quatro rodovias que ligam La Paz ao restante do país e aos portos do Pacífico. Apenas uma via segue parcialmente liberada; as outras três estão ocupadas por manifestantes, dificultando a circulação de mercadorias.

Tentativas de abastecimento e negociação

O governo organizou, com apoio de forças de segurança, duas rotas humanitárias aéreas para levar itens básicos à capital. Entretanto, os corredores rodoviários, criados para facilitar o fluxo, não obtiveram sucesso, e os bloqueios voltaram a impedir a passagem.

Na véspera, o diálogo entre o governo e a Central Operária Boliviana não ocorreu, pois a COB exige que mandados de prisão contra seus dirigentes sejam revogados, em meio a acusações de violência durante as manifestações em La Paz.

Outros impactos regionais

Em Santa Cruz, o principal polo agroindustrial do leste, o frango é vendido a metade do preço, ainda sem chegar aos mercados. Em Cochabamba, produtores reportam a morte de mais de 100 mil frangos por falta de ração, sinalizando impactos que devem se ampliar nos meses seguintes.

O setor de saúde também sente o aperto: hospitais enfrentam racionamento de oxigênio e de alimentos para pacientes, com mais de 500 caminhões-tanque parados nas estradas. Empresários e organizações civis de Santa Cruz pressionam o governo a decretar estado de exceção.

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