- Escalada entre Israel e Líbano persiste após mais de quarenta dias de cessar-fogo teórico, com ataques retomados, incluindo Beirute nesta quinta-feira.
- Israel afirma mirar alvos do Hezbollah; o premiê informou que as forças atravessaram o rio Litani, expandindo atuação no território libanês.
- Desde o início da trégua, pelo menos 600 pessoas foram mortas, elevando o total de mortos desde o começo do conflito a mais de 3.200; Israel registra cerca de 10 soldados mortos desde o início da trégua.
- Aproximadamente 1,2 milhão de libaneses estão deslocados, tornando-se parte de uma crise humanitária agravada pela dificuldade de abastecimento e aumento de preços; organizações internacionais atuam no país.
- O governo libanês e analistas divergem sobre os objetivos da ofensiva: há leitura de destruição sistemática de vilas, enquanto Israel sustenta que atua para eliminar ameaças do Hezbollah sem visar civis.
O conflito entre Israel e o Líbano voltou a se intensificar após o cessar-fogo informal, com novos ataques aéreos israelenses no sul líbano e tentativas de infiltração de tropas. Mesmo com o acordo de trégua vigente há mais de 40 dias, as forças de Tel Aviv vêm realizando operações com o objetivo declarado de neutralizar ameaças ao seu território e a civis. Nesta sexta-feira, a área ao redor de Beirute também foi alvo, ampliando o medo de uma devastação próxima à de Gaza.
Desde o início do cessar-fogo, o governo israelense afirma mirar alvos ligados ao Hezbollah. Em resposta, o Exército passou a atuar além de linhas anteriores, incluindo o rio Litani como novo limite, conforme anunciado pelo premiê. Além disso, altas fontes em Beirute afirmam que, desde 17 de abril, pelo menos 600 pessoas foram mortas na região, com o total de mortos desde 1º de março chegando a mais de 3.200 e feridos a 9.700, segundo o Ministério da Saúde do Líbano. Tel Aviv, por sua vez, registra perdas de dez soldados desde o início da trégua.
As operações aéreas israelenses atingiram cidades do sul do Líbano, como Tiro, gerando danos a infraestrutura e a comunidades locais. Em Beirute, relatos apontam que o dia de ataques intensificou a sensação de insegurança na capital, onde moradores vivem sob constante estado de alerta, com decolagens de aeronaves e ataques repentinos. A ONG Médicos Sem Fronteiras atua na região com cerca de 600 trabalhadores, ajudando deslocados e feridos.
O governo israelense sustenta que não pretende causar danos à população libanesa e que os alertas de retirada visam preservar civis enquanto combate aparentes vínculos entre o Hezbollah e instalações militares. Em contraponto, analistas de Beirute destacam que a operação pode ter como efeito ampliar a destruição de vilas e cidades no sul do Líbano, elevando o risco de escalada regional.
A crise humanitária afeta, hoje, mais de 1,2 milhão de pessoas deslocadas, ou mais de 20% da população. O país enfrenta dificuldades de abastecimento, com impactos em serviços básicos e infraestrutura. Para a população, o dia a dia é marcado por evacuações, cortes de energia e interrupções de transporte, agravando a vulnerabilidade social.
A posição do Hezbollah permanece inalterada, com resistência a negociações formais com o governo do Líbano e aos acordos de redução de hostilidades. Organizações internacionais e especialistas observam que o padrão de ataques pode se ampliar, mantendo o sul do Líbano sob pressão militar e social. Enquanto isso, autoridades locais e voluntários trabalham para mitigar os impactos humanos da crise.
Entre na conversa da comunidade