- Israel foi incluída pela primeira vez na lista negra da ONU de países que cometem violência sexual em zonas de conflito.
- O relatório do gabinete do secretário-geral apontou 31 casos de violência sexual por forças israelenses contra palestinos de Gaza e da Cisjordânia; 13 ocorreram em 2025 e 18 nos dois anos anteriores.
- As vítimas incluíram 14 homens, sete mulheres, nove meninos e uma menina; os abusos vão desde estupro até nudez forçada e violência genital.
- A UN disse que as investigações foram dificultadas pela rejeição do governo de Israel e por ameaças a detentos para evitar denúncias.
- Israel rejeita as alegações, afirmou que rompe relações com o escritório do secretário-geral e o embaixador israelense no ONU acusou Guterres de espalhar mentiras antissemitas.
Israel foi incluída, pela primeira vez, na lista negra da ONU de países que cometem violência sexual em zonas de conflito. O processo foi divulgado em um relatório do escritório do secretário-geral António Guterres. O documento afirma que, no ano passado, a ONU verificou 31 casos de violência sexual praticados por forças israelenses contra palestinos em Gaza e na Cisjordânia. Desses, 13 ocorreram em 2025 e 18 nos dois anos anteriores. O relatório aponta que os casos verificados são indicativos, não exaustivos.
Os incidentes verificados envolveram 14 homens, sete mulheres, nove meninos e uma menina. Entre as violações estão estupro, estupro em grupo, nudez forçada e violência contra genitais, praticadas por oficiais das Forças de Defesa de Israel, da polícia e do serviço prisional. A ONU afirmou que as investigações completas foram dificultadas pela gestão israelense e por ameaças contra detidos para evitar que abusos fossem reportados.
Israel rejeitou as acusações de abuso sexual e indicou que romperia relações com o escritório do secretário-geral. O embaixador israelense na ONU, Danny Danon, afirmou que Guterres estaria disseminando mentiras antissemitas e que a missão israelense se recusará a manter contato com o gabinete do secretário-geral enquanto ele permanecer no cargo.
Reações e contexto
O relatório cita que as investigações sobre os casos já verificáveis enfrentaram entraves e que houve relatos de detenções sob pressão para abrandar denúncias. Em 2023, o Hamas já havia sido incluído no relatório anterior sobre violência sexual relacionada ao conflito. A ONU também registrou casos em que vítimas palestinas relataram abusos por parte de capturadores do Hamas, embora não tenha conseguido verificar de forma conclusiva os relatos.
Em outra frente, o relatório manteve a nota de que houve elevação de casos de violência sexual após os ataques do Hamas em outubro de 2023. A ONU citou ainda denúncias de violência em instalações de detenção, com respostas de Israel variando entre investigações e ações legais quando cabíveis.
Rússia também incluída
Paralelamente, as forças armadas russas passaram a integrar a lista negra pela primeira vez, por violência sexual contra prisioneiros de guerra e detidos civis na guerra na Ucrânia. A ONU registrou 310 casos de violência sexual ligada ao conflito, envolvendo 280 homens, 26 mulheres e 4 meninas, em território russo e áreas sob controle russo. O conflito na Ucrânia teve início em fevereiro de 2022, com a invasão liderada por Vladimir Putin.
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