- Desde 15 de maio, DRC enfrenta surto de Ebola da variante Bundibugjo, sem tratamento ou vacina disponíveis, com 121 casos confirmados e 17 mortes, mais mais de 1.077 casos suspeitos e 238 mortes suspeitas.
- Ituri é o epicentro, com Ituri e North Kivu afetadas; Uganda também reporta disseminação e já fechou a fronteira com a DRC. No total, 10 países africanos foram considerados de risco.
- A resposta internacional ganha ritmo: Dr. Macky Mbavugha do International Rescue Committee coordena ações em Ituri e Beni, em meio a cortes de orçamento desde 2025 que reduziram a atuação da ONG.
- Motivos para atraso na declaração do surto incluem origem não definida, circulação do vírus por semanas e atraso no reagrupamento de amostras, com o Bundibugjo sendo identificado apenas após deslocamento de amostras para Kinshasa.
- Principais desafios: mobilidade da população devido a áreas de mineração, atuação de grupos armados, escassez de recursos, interrupção de vigilância comunitária e resistência a isolamento, enterros e medidas de higiene.
Doença ressurgiu no leste da República Democrática do Congo (RDC) em 15 de maio, com o surto atual da Ebola. A variante Bundibugyo ainda não possui tratamento ou vacina disponível, elevando o desafio para autoridades e organizações humanitárias. O país relata 121 casos confirmados e 17 mortes, além de mais de 1.077 casos suspeitos e 238 óbitos não confirmados. As autoridades trabalham para interromper a transmissão e ampliar a vigilância.
O epicentro fica em Mongwalu, município rural de Ituri, próximo a Bunia. A região é um polo de mineração de ouro, o que aumenta a mobilidade de pessoas entre províncias e países vizinhos. Com isso, a circulação do vírus se tornou mais difícil de conter. O risco de expansão regional permanece alto.
Dr. Macky Mbavugha, médico e gerente de campo do International Rescue Committee (IRC) em Ituri e North Kivu, coordena as ações da ONG na resposta à epidemia. Ele sinaliza que o financiamento mais estreito diminuiu a atuação de parceiros no terreno, prejudicando vigilância, água potável em unidades de saúde e prevenção.
Segundo Mbavugha, antes de 2025 havia recursos para vigilância, construção de infraestruturas hídricas e prevenção de infecções. Com cortes de financiamento, o IRC reduziu atividades em Ituri de cinco para duas áreas, prejudicando a detecção precoce e a resposta rápida. Ele cita ainda perda de cerca de 40-45% do orçamento da organização.
A situação no terreno envolve desafios de acesso a água, desconfiança de comunidades e resistência a medidas de isolamento. Mbavugha explica que mudanças de costumes, rituais de luto e a necessidade de informações rápidas sobre cada óbito dificultam o trabalho de equipes de saúde. Em alguns casos, tendas de atendimento foram incendiadas.
A resposta atual se baseia em dois pilares: prevenção e detecção de vírus, com foco em vigilância comunitária e em ações de higiene, e comunicação de risco para educar a população. O IRC também atua na disponibilização de equipamentos de proteção, melhoria de água em unidades de saúde e gestão de resíduos para reduzir contaminações.
Países da região foram colocados em alerta pela África CDC, com até 10 outras nações consideradas em risco de transmissão. Uganda confirmou casos adicionais e fechou a fronteira com a RDC em parte do período, aumentando a pressão sobre os sistemas de saúde locais. A situação regional continua sob monitoramento internacional.
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