- Rodrigo Paz, do Partido Democrata Cristão, foi eleito em outubro de 2025 e assumiu a presidência da Bolívia em novembro do mesmo ano, encerrando a hegemonia da esquerda no país.
- Desde início de maio, o país enfrenta protestos e bloqueios em rodovias, puxados por setores que apoiaram a vitória de Paz, levando a desabastecimento.
- O governo pediu ajuda humanitária ao Brasil, que concordou em enviar assistência para a Bolívia.
- Paz recuou de medidas polêmicas, revogando a Lei de Reconversão de Terras (Lei 1720) e reduzindo o próprio salário, mas as manifestações continuaram.
- Até o momento, sete pessoas morreram, 23 ficaram feridas e mais de 300 foram presas; o governo também revogou, em maio, uma lei de 2020 sobre estado de exceção e uso das Forças Armadas, embora a medida ainda não tenha sido acionada.
Rodrigo Paz, presidente da Bolívia eleito em outubro de 2025 pelo Partido Democrata Cristão (PDC), enfrenta uma onda de protestos desde o início de maio. Bloqueios de estradas afetam desabastecimento e pressionam pela renúncia do chefe de Estado.
O atual governo intensificou medidas de ajuste econômico e reformas, com foco em setores empresariais. Paz chegou ao poder em meio a crise econômica, prometendo um “capitalismo para todos” e diálogo com movimentos sociais, mas adotou prioridades diferentes das anunciadas durante a campanha.
A Lei de Reconversão de Terras, conhecida como Lei 1720, gerou críticas por supostamente favorecer a especulação e reduzir proteções a comunidades indígenas e camponesas. Com isso, manifestações ganharam adesão de trabalhadores rurais, professores e cooperativistas, ampliando o række de apoiadores do movimento.
Desdobramentos e recuos
Diante das pressões, Paz revogou a Lei 1720 e sinalizou maior abertura ao diálogo, além de reduzir seu próprio salário. Mesmo assim, os protestos persistem, com relatos de confrontos e novas adesões a partir de setores antes não mobilizados.
A Defensoria do Povo da Bolívia aponta sete mortes, 23 pessoas feridas e mais de 300 presas durante as mobilizações, que têm sido marcadas pela atuação policial e pela continuidade das reivindicações por mudanças no governo. A situação permanece tensa e sem resolução imediata.
Conflito entre governos e mobilizados
Analistas apontam que a estratégia do governo é caracterizar as manifestações como parcela de disputa partidária, ainda que haja demandas sociais amplas. Pesquisadores destacam que os movimentos são variados e não respondem a uma liderança única, o que dificulta a identificação de responsáveis.
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