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Rússia usa eleitores importados e sites falsos para frear Armênia-Ocidente

Rússia usa desinformação e eleitores importados para tentar impedir a reeleição de Pashinyan, buscando manter influência na Armênia e frear o alinhamento ocidental

FOTO DE ARQUIVO: O presidente russo Vladimir Putin e o primeiro-ministro armênio Nikol Pashinyan participam de uma reunião no Kremlin, em Moscou, Rússia, em 1º de abril de 2026.
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  • A Rússia intensificou esforços secretos para tentar impedir a reeleição de Nikol Pashinyan na Armênia, temendo que a vitória aproxime o país do Ocidente.
  • Planos de Moscou para a eleição de 7 de junho incluem campanhas de desinformação, apoio a candidatos pró-Rússia e o transporte de dezenas de milhares de armênio-russos para influenciar o resultado.
  • Pashinyan vem se aproximando da Europa e da Otan, recebendo apoio de líderes ocidentais, como o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, que visitou Erevã.
  • A Armênia, que integra uma união econômica liderada pela Rússia, suspendeu participação em uma aliança de segurança regional em 2024, e recebeu o secretário-geral da Otan, Mark Rutte, nesta mês.
  • Moscou avisou sobre possíveis consequências econômicas, como queda no acesso a gás natural e importações, enquanto a Rússia nega as acusações e a Armênia diz adotar medidas contra desinformação para eleições livres.

O governo russo intensificou ações secretas para dificultar a reeleição de Nikol Pashinyan, premiê da Armênia, antes das eleições de 7 de junho. Segundo autoridades de inteligência ocidentais e documentos analisados pela Reuters, Moscou busca manter a influência sobre a Armênia ao evitar maior alinhamento com o Ocidente.

Entre as táticas apontadas estão campanhas de desinformação favorecendo candidatos pró-Rússia e um plano de transportar dezenas de milhares de armênios com cidadania russa para influenciar o pleito. As informações foram confirmadas por cinco autoridades ocidentais.

A Armênia, com cerca de 3 milhões de habitantes e sem litoral, mantém vínculos estreitos com a Rússia, inclusive com tropas no território. Contudo, Pashinyan tem aproximado o país da Europa e da Otan, movimento que tem provocado contrariedade em Moscou.

O chanceler americano, Marco Rubio, esteve em Erevã nesta semana, onde assinou acordos sobre minerais estratégicos e sobre a chamada Rota Trump para a Paz e Prosperidade Internacional, um corredor de transporte que pode reduzir a influência russa na região.

A Armênia participa de uma união econômica liderada pela Rússia, mas suspendeu a participação em 2024 de uma aliança regional de segurança. Recentemente, o país recebeu o secretário-geral da Otan, Mark Rutte, em uma declaração de cooperação com blocos europeus.

O presidente russo Vladimir Putin tem feito sinalizações de descontentamento com a guinada de Pashinyan. Na prática, Moscou elevou advertências sobre o acesso a gás barato e intensificou restrições a importações de itens armênios, como frutas, verduras, conhaque e flores.

Analistas ouvidos pela Reuters citam o bilionário Samvel Karapetyan como o candidato apoiado por Moscou, sob investigação por suposta incitação à derrubada do governo. Karapetyan, que tem dupla cidadania armênia e russa, nega as acusações, segundo seu advogado.

A narrativa de interferência externa não é nova: a Europa já acusa a Rússia de influenciar eleições em outros países, enquanto Moscou sustenta que adversários tentam empurrar dirigentes próximos às potências ocidentais para a sua esfera de influência.

O Ministério das Relações Exteriores da Rússia respondeu à Reuters afirmando que a reportagem contém informações falsas e promove uma retórica anti-russa. O governo armênio, por sua vez, afirmou que medidas são adotadas para combater a desinformação e assegurar eleições livres, justas e transparentes.

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