- Kenneth Law, de sessenta anos, se declarou culpado de quatorze acusações de assistência ao suicídio no Canadá, após acordo com promotores que retiraram acusações de assassinato; ele vendia substâncias tóxicas on-line.
- Em Ontário, ele reconheceu envolvimento com vítimas canadenses e vendia cerca de 1,2 mil pacotes de substâncias tóxicas para pessoas de quarenta países, através de fóruns de suicídio.
- Famílias de vítimas do Reino Unido criticaram a decisão de não acusá-lo no país; o CPS apontou que o sistema jurídico canadense considerará as perdas britânicas, e extraditar Law seria improvável e levaria anos, com risco de dupla penalização.
- Law também estaria ligado à morte de 79 pessoas no Reino Unido, com 330 pacotes enviados a 286 destinatários na região; entre as vítimas estão Thomas Parfett, de vinte e dois anos, e Ashtyn Prosser-Blake, de dezenove anos.
- A investigação envolveu ao menos onze agências policiais de cerca de doze países; Law foi preso em maio de 2023 após reportagem do Times; ele operava vários sites que vendiam itens e substâncias para facilitar suicídios.
Kenneth Law, ex-chef de 60 anos, declarou-se culpado em Ontario, Canadá, de 14 acusações de assistência ao suicídio após vender substâncias tóxicas pela internet. O acordo com promotores retirou as acusações de assassinato, segundo o inquérito que envolve vítimas em múltiplos países.
A defesa afirma que Law vendeu cerca de 1,2 mil pacotes com substâncias letais a pessoas de 40 países, obtidas por meio de fóruns de suicídio online. A decisão ocorreu em tribunal de Ontário nesta sexta-feira, 29 de maio, encerrando parte do processo no Canadá.
As famílias de vítimas britânicas defendem que Law também responda no Reino Unido, uma vez que há registro de 79 mortes ligadas aos produtos dele no país. O CPS britânico informou que o sistema canadense avaliará as perdas das famílias no Reino Unido.
Contexto internacional
Autoridades indicam que não houve acusação no Reino Unido por questões jurídicas, como o eventual risco de dupla penalização. O CPS afirma que a extradição é improvável e que o processo no Canadá seria a via mais rápida, porém não garantida.
Segundo promotores, a sentença no Canadá deve considerar mortes ocorridas na Inglaterra e no País de Gales, em função direta dos produtos fornecidos por Law. A investigação envolveu ao menos 11 agências policiais de 12 países, incluindo Reino Unido, Itália e EUA.
No Reino Unido, constam 330 pacotes enviados a 286 destinatários. Entre as vítimas está Ashtyn Prosser-Blake, 19, de Ontário, que cometeu suicídio em março de 2023. A mãe da vítima descreve o filho como alguém gentil e pedindo que a justiça alcance também o Reino Unido.
Thomas Parfett, 22, de Surrey, consumiu uma substância vendida por Law e foi encontrado morto em 2021 em Sunbury-on-Thames. O pai de Thomas cobra ação pública do governo britânico para apurar responsabilidades e proteger a vida de mais pessoas.
Detetives canadenses apontam que Law operava diversos sites que vendiam equipamentos e substâncias para facilitar suicídio. O advogado de Law afirmou que o acordo com a promotoria canadense levou às acusações mais graves, incluindo assassinato, a serem retiradas.
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