- O governo dos Estados Unidos classificou o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como Organizações Terroristas Estrangeiras, com inclusão oficial a partir de 5 de junho, e também na lista de Terroristas Globalmente Designados (SDGT).
- A medida amplia as sanções: ativos vinculados podem ser bloqueados e pessoas, empresas e instituições financeiras ficam proibidos de transacionar com membros ou operadores dos grupos.
- As ações ocorrem no contexto de uma nova doutrina de segurança dos EUA e da Estratégia Nacional de Contraterrorismo para 2026, que reforça o foco na América Latina como prioridade de segurança nacional.
- O governo brasileiro, representado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, expressou preocupação com os impactos e defender cooperação bilateral sem enquadrar facções como terroristas; o senador Flávio Bolsonaro informou ter pedido a classificação ao presidente Trump.
- Especialistas destacam que a mudança não é isolada, mas parte de um redesenho regional que associa terrorismo, narcotráfico e crime transnacional, abrindo espaço para maior pressão diplomática e medidas unilaterais dos EUA na região.
A decisão do governo dos Estados Unidos de designar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas estrangeiras amplia a agenda de segurança na região e posiciona a América Latina como eixo estratégico na política externa norte‑americana. A medida, anunciada pelo Departamento de Estado, passa a valer a partir de 5 de junho, incluindo as facções na lista de Organizações Terroristas Estrangeiras e na categoria de Terroristas Globais Especialmente Designados.
A designação aumenta o alcance das sanções privadas de Washington e aproxima PCC e CV de padrões aplicados a cartéis e grupos armados transnacionais. O governo americano classificou as facções como organizações responsáveis por ataques contra autoridades, servidores públicos e civis, com redes que ultrapassam as fronteiras do Brasil e impactam interesses de segurança dos EUA.
OFAC também passou a incluir PCC e CV em sua lista de entidades sancionadas, permitindo o bloqueio de ativos e proibindo transações com integrantes ou operadores ligados aos grupos. Fontes do Departamento de Estado adiantaram que pessoas físicas ou jurídicas, dentro ou fora dos EUA, com relações financeiras ou materiais com as facções podem enfrentar sanções, processos criminais e restrições migratórias.
Essa mudança marca um novo capítulo na relação entre EUA e América Latina, ao combinar temas de segurança e combate ao crime transnacional com a projeção de poder geopolítico. A abordagem difere de estratégias anteriores ao ampliar a definição de terrorismo para abarcar organizações criminosas de grande impacto regional.
Mudança de tema: desdobramentos diplomáticos
O anúncio ocorreu após o senador Flávio Bolsonaro afirmar ter pedido a classificação ao ex-presidente Donald Trump. O presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, manifestou preocupação com efeitos da medida e enfatizou a cooperação bilateral no combate ao crime organizado, sem enquadrar facções como terroristas.
Lula, durante visita a Trump, sinalizou propostas para integração regional na segurança pública e convidou Washington a participar de iniciativas brasileiras contra narcotráfico e organizações transnacionais. Integrantes do governo brasileiro avaliam que a classificação pode abrir precedentes para pressões internacionais sobre temas internos.
Novo eixo de segurança hemisférica
Especialistas destacam que a designação integra uma transformação mais ampla da política de segurança dos EUA. A nova Estratégia Nacional de Contraterrorismo para 2026 reforça a prioridade do hemisfério ocidental e retoma referências históricas para justificar intervenções sob o argumento de estabilidade regional.
O texto oficial indica que o conceito de terrorismo passa a englobar também cartéis e organizações criminosas, abrindo espaço para ações unilaterais dos EUA na região. A mudança é vista como parte de um redesenho estratégico que envolve narcotráfico, migração e conflitos geopolíticos.
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