- Primeiro turno da eleição presidencial na Colômbia acontece neste domingo, com Iván Cepeda liderando as pesquisas, mas cenários de segundo turno indicam vitória da direita (Abelardo de la Espriella ou Paloma Valencia).
- Relatório do InSight Crime aponta aumento de confrontos entre grupos criminosos em 2025 e uma taxa de homicídios em torno de 25 por 100 mil habitantes, indicando violência em alta no governo de Gustavo Petro.
- Ocorrências brutais impactam a campanha: assassinatos ligados à equipe de Espriella e do jornalista Mateo Pérez Rueda; ataque em Cauca deixou vinte mortos e trinta e seis feridos; o ex-candidato Miguel Uribe Turbay foi baleado e morreu meses depois.
- Avanços da Paz Total não ocorreram; tráfico de drogas aumentou e houve crescimento das áreas de cultivo de coca e da produção de cocaína em 2023, segundo a UNODC.
- Relações com os Estados Unidos: sanções do governo americano contra Petro e familiares, após acusações ligadas ao narcotráfico; encontro na Casa Branca e cooperação anunciada, mas reportagens posteriores indicam investigações dos EUA envolvendo Petro.
A Colômbia realiza neste domingo o primeiro turno de uma eleição presidencial marcada pela escalada da violência durante o governo de Gustavo Petro. O pleito ocorre em um contexto de aumento de confrontos entre grupos criminosos, segundo relatos de especialistas. O senador Iván Cepeda, apoiado por Petro, lidera as pesquisas, mas cenários de segundo turno apontam provável vitória da direita.
Nas simulações divulgadas, Cepeda aparece atrás de Abelardo de la Espriella, de perfil direitista, e de Paloma Valencia, conservadora. Ambos ocupam a segunda e a terceira posições nas estimativas para a votação inicial. Caso seja necessário, o segundo turno está previsto para 21 de junho.
Tanto Espriella quanto Valencia destacam a necessidade de maior segurança pública, o que explica seu apoio em meio ao aumento da violência no país. O ciclo de violência envolve assassinatos, atentados e ações de grupos armados, com efeitos diretos sobre a população.
Relatórios do InSight Crime indicam que, apesar da taxa de homicídios permanecer estável na faixa de 25 por 100 mil habitantes, os combates entre grupos criminosos ganharam intensidade em 2025 em pelo menos metade dos departamentos. O órgão coordena investigações sobre crime organizado na região.
Entre os episódios que repercutem no cenário político, o senador Miguel Uribe Turbay, de centro-direita, foi baleado em Bogotá em junho do ano anterior e faleceu dois meses depois. A autoria foi atribuída a organizações guerrilheiras, segundo as autoridades.
Ainda segundo informes, houve ataque com explosivos no departamento de Cauca no mês passado, que deixou 20 mortos e 36 feridos. Outras ações violentas atingiram equipes de campanha e jornalistas, elevando o clima de insegurança em áreas eleitorais.
O governo de Petro lançou a iniciativa Paz Total, visando negociações com grupos guerrilheiros para acordos de paz semelhantes aos firmados com as Farc em 2016. Porém, o processo não avançou e o tráfico de drogas, que financia esses grupos, registrou crescimento.
Dados da UNODC apontaram aumento de 10% nas áreas de cultivo de coca em 2023, totalizando 253 mil hectares, com produção de cocaína estimada em 2.664 toneladas, alta de 53%. As informações ressaltam a relação entre narcotráfico e violência no país.
O governo americano impôs sanções a Petro, à esposa, a um filho e a Armando Benedetti, citando facilitação de atividades de cartéis. Em encontros recentes, Washington e Bogotá sinalizaram cooperação no combate ao narcotráfico, mas o cenário político permanece tenso com fatores de segurança.
Especialistas destacam que a violência pode deslocar o foco do debate público. Segundo analistas, questões de inclusão e reformas podem recuar ante a demanda por ordem e controle, favorecendo candidaturas associadas a propostas duras no enfrentamento ao crime.
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