- Apagões de aproximadamente vinte horas por dia deixaram de ser exceção fora de Havana, com redes elétricas antigas e pouca disponibilidade de combustível.
- Famílias recorrem a carvão, lenha e improvisos para cozinhar, gerando fumaça tóxica e piora na saúde de moradores.
- O governo dos Estados Unidos, sob Donald Trump, interrompeu entregas de petróleo venezuelano e, depois, cortou quase totalmente o combustível estrangeiro, incluindo o México.
- A principal refinaria de Santiago parou de produzir gás liquefeito, agravando a crise energética e o racionamento de energia na região.
- Santiago, mais pobre que Havana e com menor apoio externo, enfrenta migração acelerada, ausência de gás encanado e dificuldades extremas de sobrevivência para a população.
Numa noite recente, cubanos recorrem a carvão e lenha para cozinhar, diante de uma crise energética agravada pela suspensão de combustíveis importados. Em Santiago de Cuba, bairros inteiros vivem sem energia por até 20 horas diárias, com redes antigas e falta de combustível. A gastronomia doméstica depende de pilares rudimentares de cozinha.
Yusimi Castellano, 58, usa carvão em fogão baixo, sobrepondo isopor e papel como ignição. O uso de fogo acende uma chaminé de fumaça tóxica que invade o apartamento no 18º andar, para alimentar uma panela com espaguete. Castellano convive com asma e relata falta de ar constante.
A prática de cozinhar com carvão tornou-se comum em um conjunto residencial de cinco prédios com 18 andares, somando 120 apartamentos cada. Enquanto a energia não chega, muitos deixam de comprar carvão e recorrem à lenha para suprir a demanda energética doméstica.
A crise se consolida fora de Havana, levando a interrupções prolongadas no fornecimento de gás de cozinha e de energia. A principal refinaria de Santiago parou a produção de gás liquefeito, dependente de petróleo venezuelano e mexicano, agravando o cenário de desabastecimento.
O governo cubano aponta esgotamento das reservas de petróleo e rede elétrica enfraquecida há décadas. A produção local é insuficiente para atender às necessidades da população, que enfrenta cortes de energia diários. A situação é mais aguda em Santiago, menos favorecida economicamente que a capital.
Fora do eixo urbano, moradores enfrentam impactos variados. Haydee Gómez Suárez vende sacos plásticos para pão em frente a padarias privadas, que dependem de energia elétrica para seus fornos. Sem energia, a distribuição de pão fica comprometida e a renda de comerciantes locais diminui.
O complexo habitacional citado historicamente remonta aos anos 1980, associado a um período de expectativa de desenvolvimento. Hoje, a cidade de Santiago registra queda no consumo e migração, com população menor que a registrada no censo de 2012.
Analistas apontam que as sanções dos EUA, iniciadas no governo de Trump, contribuíram para a restrição de combustível venezuelano e mexicano. A política de tarifas também foi acionada para reduzir as entradas de petróleo, aprofundando a crise de abastecimento.
O regime cubano sustenta que o bloqueio impõe limitações financeiras, dificultando a compra de combustível. Especialistas destacam que, mesmo com reservas, a infraestrutura da rede elétrica de Cuba é antiga e exige investimentos que não vêm sendo feitos com a devida urgência.
Enquanto o governo afirma ações para controlar a crise, a população continua a conviver com apagões, escassez de gás e restrições de transporte. Em Santiago, a vida cotidiana se adapta a um ritmo de sobrevivência, com impactos diretos na saúde, alimentação e moradia.
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