- A embaixadora da Síria no Brasil, Rania Al Haj Ali, deve deixar o posto nos próximos meses, após chefiar a representação desde 2022.
- A saída é associada à queda do governo de Bashar al-Assad, deposto em dezembro de 2024, após ofensiva do grupo HTS.
- A nova administração síria tem recebido acenos da comunidade internacional, com promessas de governo mais inclusivo e possível afrouxamento de sanções.
- Após a saída de Rania, a expectativa é de que a missão seja chefiada por um encarregado de negócios até a indicação de um novo embaixador.
- A diplomata é a primeira mulher a chefiar a embaixada síria no Brasil; o Ministério Público aponta ações judiciais envolvendo ex-funcionários contra a representação, incluindo questões de vínculo empregatício e pagamentos trabalhistas.
A embaixadora da Síria no Brasil, Rania Al Haj Ali, deve deixar o posto nos próximos meses. Ela chefia a representação em Brasília desde 2022, indicada pelo ex-presidente Bashar al-Assad. A informação foi confirmada ao Metrópoles por fontes diplomáticas ligadas ao governo sírio, sob reserva.
A saída ocorre após a queda de Assad do poder em dezembro de 2024, em meio a uma ofensiva do grupo HTS. A nova administração síria tem buscado aproximações internacionais, incluindo o fim de sanções. Mesmo com a mudança, a embaixada em território brasileiro permanece sob comando ligado ao antigo governo.
Rania foi a primeira mulher a chefiar a representação síria no Brasil. Sua trajetória inclui atuação na ONU, em Genebra e em Tóquio. A diplomata deixa o cargo em meio a uma batalha judicial de brasileiros contra a embaixada, com ações que questionam vínculos trabalhistas e desvio de funções.
Mudança de liderança na representação
Desde maio, brasileiros que trabalharam na embaixada movem ações na Justiça do Trabalho para reconhecer vínculos empregatícios. Um ex-motorista, que atuou por oito anos, pediu demissão em 2023 e afirma ter desempenhado funções além daquelas contratadas. A embaixada alega motivos de demissão por “comportamentos inadequados.”
A reportagem teve acesso a documentos em que a diplomata informa a demissão do motorista, o que, segundo a defesa, gerou prejuízos profissionais. O caso levou o trabalhador a enfrentar dificuldades para se recolocar no mercado, chegando a depressão e, posteriormente, a morte em 2025.
A Justiça já reconheceu o vínculo de pelo menos dois ex-funcionários. A 1ª Vara do Trabalho de Brasília determinou o reconhecimento de vínculo, FGTS, aviso prévio, horas extras e férias. A decisão ainda depende de recursos da embaixada síria.
Desdobramentos judiciais
No caso do porteiro, a sentença transitou em julgado no TST, impondo pagamentos, mas ainda sem indenizações recebidas. A ex-empregada doméstica também teve decisão favorável, porém o processo aguarda recursos. As sentenças, contudo, desconsideraram pedidos de indenizações por desvios de funções.
O cenário aponta para continuidade de disputas trabalhistas envolvendo ex-funcionários, mesmo com a iminente troca de embaixadora. A comunidade internacional acompanha, com sinais de flexibilização diplomática, a postura da nova administração síria. Fonte: Metrópoles.
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