- Estados Unidos pode impor tarifa de 25% sobre exportações brasileiras, com consulta de 30 dias e audiência pública em 6 de julho, em Washington.
- Além disso, há uma tarifa global de 10% em resposta à decisão da Suprema Corte, e uma nova investigação da Seção 301 sobre “práticas desleais” associadas a uso de trabalho forçado em 60 países, totalizando 86 na lista, incluindo Brasil, UE, Suíça, China, Índia, Reino Unido, Peru, Japão e Argentina.
- A soma dessas tarifas colocaria o Brasil entre as maiores barreiras comerciais do mundo; há espaço para negociação, segundo interlocutores, mas o governo vê resistência dos EUA.
- O governo brasileiro apresentou uma proposta de mudanças no quadro tarifário na semana anterior, após reunião entre o ministro Márcio de Rosa e o secretário da USTR, Jamieson Greer; ainda não houve resposta formal dos EUA.
- Lula disse que o Brasil não fará acordos preferenciais no setor de terras raras e que pretende negociar com quem oferecer maior transferência de tecnologia e agregação de valor.
Apesar das negociações estagnadas, os Estados Unidos estudam aplicar uma tarifa de 25% sobre exportações brasileiras. A medida está em linha com uma investigação da Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA, com período de consulta de 30 dias.
Além dessa tarifa, o governo americano avalia tarifas adicionais entre 10% e 20% ligadas a uma decisão judicial sobre tarifas globais. A combinação pode elevar a taxação sobre o Brasil a patamares recordes.
Contexto internacional e impactos
A USDA abriu outra investigação sob a mesma seção, apontando práticas desleais em 60 países, totalizando 86 na lista. Entre os incluídos estão União Europeia, Suíça, China, Índia, Reino Unido, Peru, Japão e Argentina.
A soma das tarifas, se implementadas, colocaria o Brasil como alvo de uma das maiores barreiras comerciais do mundo. Empresas privadas e o Itamaraty ainda discutem espaços de negociação.
Cenas nacionais e posições brasileiras
Na última quinta, o Brasil apresentou propostas de ajustes tarifários aos EUA. O ministro Márcio de Rosa conversou com o secretário da USTR, Jamieson Greer, mas não houve resposta formal, o que, no país, sinaliza urgência de manter o andamento da Seção 301.
O governo brasileiro mantém postura de negociar com quem ofereça maior transferência de tecnologia e agregação de valor, sem abrir espaço para acordos preferenciais no setor de terras raras. Lula sinaliza foco em ganhos estratégicos.
Contexto interno e argumentos
Brasileiros apontam que o desmatamento caiu 50% no governo Lula, e não deveria justificar medidas consideradas desleais. Outros lembram que o Pix ampliou a bancarização e facilitaria negócios, fortalecendo a economia.
O Itamaraty avalia que houve resistência americana à negociação, mesmo diante de argumentos técnicos apresentados por uma equipe de sete ministérios que viajou a Washington há cerca de um mês.
Perspectiva e próximos passos
O governo brasileiro não prevê recuo imediato e mantém a hipótese de diálogo até prazos da Seção 301. O presidente Lula discutiu com o ministro Mauro Vieira antes de viagens a Paris e encontros da OCDE, marcando o tom de atuação do país.
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