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Ataques xenófobos na África do Sul deixam ao menos cinco moçambicanos mortos

Ataques xenófobos na África do Sul deixam ao menos cinco moçambicanos mortos e centenas buscando retorno, segundo Maputo

Manifestação contra a imigração clandestinha em Durban, na África do Sul, reuniu milhares de pessoas no dia 6 de maio de 2026.
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  • Moçambique informou pelo menos cinco de seus cidadãos mortos em ataques xenófobos na África do Sul; a polícia sul-africana contesta o número e disse ter registrado duas mortes em Mossel Bay.
  • Os ataques, iniciados na sexta-feira em Mossel Bay, levaram centenas de imigrantes moçambicanos a fugir do território sul-africano.
  • O governo de Maputo afirmou que sete moçambicanos morreram, sendo cinco por agressões xenófobas e dois em acidente de trânsito ao retornarem ao país.
  • A polícia da província do Cabo Ocidental disse ter confirmação de duas mortes na favela Asla Park, em Mossel Bay, na noite de sexta-feira.
  • Cerca de 311 moçambicanos usaram o sábado para retornar ao Moçambique; mais de 800 ainda permanecem em Mossel Bay sob proteção das autoridades locais.

Ao menos cinco moçambicanos morreram nos recentes ataques xenófobos na África do Sul, informou Moçambique. A polícia sul-africana apresentou um balanço diferente, registrando duas mortes na cidade de Mossel Bay, no sul do país. Centenas de imigrantes moçambicanos fugiram do território.

Os ataques, iniciados na sexta-feira em Mossel Bay, atingiram residências de moçambicanos e de outros estrangeiros. Um grupo de moçambicanos afirmou ter ouvido estilhaços de vidro, esfaques e pedras durante os ataques, que começaram à noite.

O governo de Maputo divulgou nota na noite de segunda-feira mencionando sete mortes entre moçambicanos, cinco por agressões xenófobas e dois em acidente de trânsito durante o retorno ao país. A defesa sul-africana confirmou apenas duas mortes em Mossel Bay.

Detalhes dos ataques

Manuel Canhane, líder da comunidade moçambicana na província, confirmou os cinco mortos. Ele acrescentou que houve feridos e que 311 moçambicanos tentaram retornar ao país no fim de semana.

Segundo Canhane, os incidentes começaram na noite de quinta-feira, com ataques a casas de moçambicanos e de outros estrangeiros. Ele disse que quase todas as casas da etnia no bairro foram atingidas e que muitos se defenderam.

A polícia da província do Cabo Ocidental informou que duas pessoas moçambicanas perderam a vida na favela Asla Park, na periferia de Mossel Bay, na sexta-feira. A partir de sábado, organizações de migração indicaram que muitos contatos buscaram retorno ao Mozambique.

Contexto e desdobramentos

Ao menos 800 moçambicanos permanecem em Mossel Bay sob proteção das autoridades locais, segundo Canhane. Mais de 600 teriam retornado voluntariamente ao Moçambique, relata o Serviço Nacional de Migração do país.

No total, Moçambique confirma que milhares de compatriotas optaram por retornar diante da violência. O país tem cerca de 300 mil cidadãos na África do Sul, atuando principalmente no setor de mineração.

Contexto político e econômico

A violência xenófoba vem crescendo junto a uma crise econômica sul‑africana de longa data. Analistas destacam que imigrantes são usados como alvos de ressentimentos, inclusive em campanhas políticas locais.

Além de Mossel Bay, manifestações anti-imigração ocorreram em outras regiões. A África do Sul abriga cerca de três milhões de imigrantes regulares, vindos de países vizinhos com dificuldades econômicas ou guerras.

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