- A recomendação dos EUA para impor tarifa adicional de 25% pode alcançar 21% das exportações brasileiras para o mercado norte‑americano.
- Cerca de 54% das exportações já ficam fora das medidas, e 25% são atingidas por regras da Seção 232; os 21% restantes ficariam expostos se a tarifa for efetivada.
- Os setores mais impactados seriam máquinas e equipamentos, plásticos, madeira, papel e cartão, calçados, ferro fundido, peixes e crustáceos.
- As negociações entre Brasil e Estados Unidos seguem até 15 de julho, com nova rodada prevista em Paris, durante evento da OCDE.
- O governo mantém que pode negociar, definindo temas aceitáveis até julho, enquanto tópicos inegociáveis incluem Pix, soberania do sistema financeiro e políticas de combate ao desmatamento.
O governo dos Estados Unidos recomendou impor uma tarifa adicional de 25% sobre parte dos produtos brasileiros que exportam para o mercado norte-americano. A estimativa é que essa medida pudesse abranger 21% das exportações do Brasil para os EUA. A decisão foi anunciada 1º de junho e discutida em reunião ministerial do governo brasileiro em 2 de junho de 2026.
Segundo o ministro do MDIC, Márcio Elias Rosa, cerca de 54% das exportações já ficam fora das medidas propostas, outros 25% são atingidos por regras da Seção 232 e os 21% restantes ficariam sujeitos à tarifa efetiva caso a recomendação dos EUA se transforme em prática. Máquinas e equipamentos aparecem entre os setores mais impactados.
O governo afirmou que ainda busca um acordo para evitar a aplicação da tarifa. O presidente Lula e o vice-presidente Geraldo Alckmin destacaram a continuidade do diálogo como caminho para a negociação, que segue até 15 de julho, data prevista para encerrar a investigação da Seção 301.
Contexto e próximos passos
Representantes do Brasil e dos EUA devem se encontrar novamente em Paris, durante evento da OCDE, para avançar nas tratativas. O tema envolve concessões e acordos comerciais e permanece com foco na possibilidade de evitar a tarifa.
O governo brasileiro detalhou o que pode ser negociado, incluindo questões de comércio digital, atuação de grandes empresas de tecnologia no Brasil, acordos do Mercosul com Índia e México, tarifas e acesso a mercados, além de propostas apresentadas na consulta pública da investigação.
Entre os itens considerados inegociáveis estão o Pix, a soberania do sistema financeiro, políticas de combate ao crime organizado, ações de combate ao desmatamento e temas estratégicos para a soberania nacional. O Planalto afirma que a tarifa é uma estratégia de pressão para obter concessões.
A nota oficial do governo brasileiro informou indignação com a conclusão preliminar da investigação da Seção 301 e sustentou que não há justificativa econômica para as medidas. O texto aponta superavitário o comércio brasileiro com os EUA nos últimos 15 anos.
O vice-presidente afirmou que a relação comercial favorece os Estados Unidos, citando tarifas zero para produtos norte-americanos no Brasil e uma alíquota média de 3,1% sobre as exportações dos EUA. A defesa sustenta que a acusação de motivação política envolve a família Bolsonaro e eventos recentes em Washington.
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