- Thomas L. Friedman, no Fórum de Lisboa, classificou a IA como o segundo big bang.
- Disse que a humanidade criou um cérebro artificial superior ao concedido pelo Criador e desligou a inteligência da biologia humana.
- Mencionou o “sistema nervoso planetário” de telecomunicações, o ciberespaço e a mudança climática, todos conectados ao deep learning.
- A previsão inclui computação quântica, fusão nuclear e IA, com capacidade computacional e energia ilimitadas, mas falta de estruturas legais e éticas; citou a necessidade de vinte mandamentos, dez para nós e dez para a IA.
- EUA e China lideram a corrida pela IA; Friedman pediu despolarizar as redes sociais para fortalecer verdade e confiança; o Fórum segue até quarta-feira, em Lisboa.
O Fórum de Lisboa contou com a participação de Thomas L. Friedman, colunista do The New York Times, como um de seus destaques. Em palestra apresentada por Gilmar Mendes e moderada por André Esteves, Friedman descreveu a IA como um segundo big bang e sinalizou que a humanidade está diante de capacidades tecnológicas profundas, potencialmente superiores às limitações humanas atuais.
O jornalista defendeu que a criação de sistemas cognitivos artificiais avançados representa uma mudança de escala na história, com consequências para a forma como o conhecimento e a tomada de decisões são estruturados. Ele citou avanços como o desenvolvimento de redes de comunicação globais, o ciberespaço e o aprendizado profundo, apontando para uma possível convergência entre computação quântica, fusão nuclear e IA.
Durante o evento, Friedman apontou a necessidade de estruturas legais, éticas e jurídicas para regular esses poderes tecnológicos, destacando que a humanidade ainda não dispõe de um conjunto completo de diretrizes. Ele ressaltou a importância de um esforço internacional para estabelecer mandamentos éticos que orientem o uso da IA.
O comentarista também discutiu a transição de um mundo plano para um mundo fundido, destacando a interdependência entre nações e setores. Segundo ele, a cadeia de suprimentos global figura entre os principais desafios, assim como temas como mudanças climáticas, armas nucleares, migração e pandemias, que exigem respostas coordenadas.
Ao ser questionado sobre EUA e China, Friedman afirmou que ambas as nações lideram a corrida pela IA e atuam como protagonistas de uma tentativa global de regulação. Ele sugeriu a necessidade de despolarização, destribalização e desintoxicação digital para fortalecer a confiança e a veracidade das informações.
O Brasil foi citado como exemplo ao discutir a despolarização digital e o papel das redes sociais na disseminação de verdades e de desinformação. Friedman defendeu que a democracia depende de verdade e confiança, ressaltando que o desafio reside em reduzir o ruído informacional para avançar em temas complexos.
O Fórum de Lisboa, em sua 14ª edição, segue até quarta-feira (3). O evento é organizado pelo IDP, instituição associada à figura de Gilmar Mendes, em parceria com a Fundação Getulio Vargas. A programação permanece sob o funcionamento de lideranças nacionais, com a participação de personalidades jurídicas e acadêmicas.
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