- Autoridades dos Estados Unidos prenderam Jamshid Ghomi, empresário de dupla nacionalidade, na Califórnia, acusado de violar a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional ao fornecer tecnologia dos EUA a entidades ligadas ao programa nuclear e militar do Irã.
- Ghomi é fundador e CEO da Faraz Pardaz Rayaneh Co. Ltd., empresa de redes de computadores sediada em Teerã, segundo o Departamento de Justiça.
- Entre 2011 e 2015, Ghomi utilizou contas próprias em plataformas como eBay e PayPal para adquirir equipamentos de rede para clientes iranianos, enviados inicialmente a intermediários nos Emirados Árabes Unidos e depois ao Irã.
- Entre 2014 e 2018, organizou o envio clandestino de mais de duascentas cinquenta toneladas de equipamentos de rede ao território iraniano, usando empresas de fachada em Dubai para ocultar o destino final.
- Além de violar sanções, Ghomi é acusado de lavar mais de US$ 15 milhões do Irã para contas nos EUA e para uma conta usada na construção de uma mansão em Newport Beach; o governo busca confiscar bens, incluindo uma mansão de US$ 35 milhões, e ele pode pegar até vinte anos de prisão.
Jamshid Ghomi, empresário de dupla nacionalidade, foi preso na Califórnia, nos EUA, acusado de violar sanções ao Irã ao fornecer tecnologia dos EUA a entidades ligadas ao programa nuclear e militar iraniano. A prisão ocorreu na quarta-feira (3).
A acusação federal o envolve pela suposta conspiração para violar a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA). Ghomi é fundador e CEO da Faraz Pardaz Rayaneh Co. Ltd., empresa de redes sediada em Teerã. A denúncia aponta envio de tecnologia sem autorização.
Segundo o Departamento de Justiça, Ghomi adquiriu equipamentos de rede, segurança e criptografia de origem americana para clientes iranianos, incluindo a Organização de Energia Atômica do Irã e outras entidades sancionadas. A denúncia cita mais de 400 compras entre 2011 e 2015.
Entre 2014 e 2018, a acusação afirma envio clandestino de mais de 250 toneladas de equipamentos para o Irã, com uso de fachadas empresariais e intermediários em Dubai para ocultar o destino final. Contas próprias em plataformas como eBay e PayPal teriam sido usadas.
A investigação aponta ocultação de participação de Ghomi, com orientação a cúmplices nos Emirados Árabes Unidos para retirar seu nome de documentos e esconder origem dos aparelhos. A operação seria realizada sem autorização do Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros.
A Faraz Pardaz Rayaneh teria faturamento anual acima de US$ 10 milhões e atendia centenas de clientes iranianos, incluindo órgãos sancionados. Parte das vendas supostamente destinou-se ao aparato nuclear e militar do Irã entre 2017 e 2023.
Entre 2014 e 2022, a empresa também teria fornecido equipamentos de rede, segurança e criptografia ao Ministério da Defesa e Logística das Forças Armadas do Irã e a entidades ligadas ao órgão. A denúncia detalha tais transações.
Pelo relato, Ghomi também é acusado de lavar mais de US$ 15 milhões do Irã para contas nos EUA e para uma conta usada na construção de uma mansão em Newport Beach, Califórnia. O empresário teria declarado falsamente os recursos como herança estrangeira.
Procuradores pedem a confiscação de bens, incluindo a mansão de Newport Beach, avaliada em US$ 35 milhões. Parte da construção teria sido financiada por recursos oriundos do esquema de violação de sanções. Ghomi deve comparecer à Justiça Federal em Santa Ana, na Califórnia.
Se condenado, o réu pode receber pena máxima de 20 anos de prisão. A defesa ainda não apresentou posição pública sobre a acusação.
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