- Em meados de março de 2023, fotógrafa peruana Ana Elisa Sotelo realizou um chamado aberto para que mulheres nadassem nuas em solidariedade às vítimas de violência de gênero, após uma onda de femicídios em Lima.
- As participantes formaram um círculo no mar, com chutes e gritos espontâneos de apoio, registrado na imagem intitulada Women’s Circle.
- A ação aconteceu na praia Agua Dulce, em Lima, com três voluntárias em pranchas para segurança; as nadadoras foram instruídas a entrar na água sem roupas e sair com o retorno à areia.
- A performance contou com a participação de outra artista, Ana De Orbegoso, que criou uma espécie de colete com a frase “Alive and Fearless”, tema do dia.
- A fotógrafa já vinha desenvolvendo o projeto Women of the Water desde 2022, iniciado em Puerto Natales, no sul da Patagônia chilena, e expandiu para Argentina, Estados Unidos e Barbados; a imagem foi tirada em 2023, em meio a um contexto de violência contra a mulher, que segundo o texto permanece presente no mundo.
In Lima, Peru, a photograph capturada por a fotógrafo peruana Ana Elisa Sotelo mostra um momento de irmandade entre mulheres após uma série de femicídios na região. A imagem, intitulada Women’s Circle, foi produzida a partir de um chamado aberto nas redes sociais para que mulheres mergulhassem juntas em solidariedade às vítimas de violência de gênero.
O projeto Women of the Water, criado por Sotelo em 2022 em Puerto Natales, no sul da Patagônia chilena, tem levado sessões a vários países. De Lima, a fotógrafa expandiu para Argentina, Estados Unidos e Barbados, mantendo o mesmo conceito de registro de mulheres no ambiente aquático como força coletiva.
A fotografia foi tirada em meados de março de 2023, pouco depois de uma sequência de femicídios em Lima. Para a sessão, Sotelo utilizou um grupo de voluntárias reunidas por meio de uma chamada aberta e de contatos da comunidade aquática. A produção contou com a supervisão de três mulheres que ficaram em cima de pranchas para segurança, enquanto as participantes mergulhavam sem trajes na água.
O registro mostra as mulheres formando um círculo na água, com movimentos de chute e de grito que ocorreram de forma natural durante a prática, protegidas por um conjunto de regras de privacidade e pela coordenação de voluntárias na beira. A sessão durou cerca de 20 minutos, após os quais as participantes voltaram a vestir trajes e retornar à praia, onde houve celebração contida.
A produção também contou com a participação de outra artista, Ana De Orbegoso, que criou uma peça vestível com a frase Alive and Fearless, criada para simbolizar a resistência e a coragem das mulheres. A iniciativa teve divulgação restrita para evitar a presença de observadores externos e manter o foco no grupo participante.
Ao longo de 2020, Sotelo iniciou o diálogo sobre violência de gênero por meio de imagens que reuniam mulheres em espaços de poder, como o mar. Ela descreve que, na época, havia tensão emocional e o desejo de mostrar solidariedade, mesmo diante de um clima público de indignação. Três anos depois, a fotógrafa observa que a violência permanece presente mundialmente, ainda que o impulso inicial de mobilizar visibilidade tenha diminuído.
A obra Women’s Circle é apresentada como parte de uma trajetória artística que busca registrar a força coletiva feminina em ambientes naturais. Sotelo, que também atua como educadora, tem como base a cidade de Lima, embora resida nos Estados Unidos, conforme a trajetória da carreira da artista. A reportagem destaca que o objetivo do projeto é oferecer um olhar sobre a meia-idade de feminilidade e resiliência, sem emitir julgamentos ou posicionamentos políticos.
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