- A censura interna na China, sob o governo de Xi Jinping, vê mais esforços internacionais para documentar o massacre de Tiananmen, evitando que a memória se perca.
- O China Unofficial Archives reúne fotos e materiais, como as imagens de Helmut Opletal, que mostram a fase inicial de otimismo dos protestos.
- Os diários de Li Rui, ex-secretário de Mao, ficam na Hoover Institution, após decisão judicial na Califórnia; a viúva argumenta que o retorno à China seria censura por parte do CCP.
- Ativistas e projetos como Zhou Fengsuo e Teacher Li ajudam a difundir imagens e documentos a milhões de seguidores, mantendo viva a memória do evento.
- Mesmo com censura, tecnologias permitem alcançar públicos globais, embora haja tentativas de hackeamento e assédio contra os arquivos.
O jornalismo independente internacional amplia o registro sobre o massivo protesto de Tiananmen e as mortes ocorridas em 4 de junho de 1989. Em meio à censura interna na China, organizações no exterior intensificam esforços para documentar o ocorrido e preservar a memória dos eventos. O foco está nas atividades de pesquisadores, jornalistas e ativistas que coletam imagens e relatos que resistem ao apagamento oficial.
Entre os itens em jogo está o conjunto de fotografias do sinologista austríaco Helmut Opletal, registradas em Beijing em maio de 1989. As imagens mostram multidões portando faixas, sorrisos e gestos de paz, período anterior ao recolhimento violento. A coleção faz parte do acervo da China Unofficial Archives, projeto sem fins lucrativos criado em 2023 para proteger história censurada.
A China Unofficial Archives, ou CUA, opera nos EUA e funciona como recurso neutro para informações sobre os protestos. A equipe utiliza pseudônimos para proteger identidades e admite não defender uma posição, apenas oferecer material verificado. O site, porém, é bloqueado na China e acessível via VPN.
Outro artefato-chave envolve os diários de Li Rui, ex-secretário de Mao Zedong, que descrevem aspectos da vida política chinesa e o que testemunhou em Tiananmen. Os diários estão na Hoover Institution, em Stanford, após transferência da filha do bilheteiro. A disputa judicial envolvendo a família de Li e a China gerou tensões diplomáticas.
A disputa envolve também o retorno dos papéis à China, o que os representantes da família consideram arriscado. A advogada da viúva afirma que o material pode ser destruído se retornado ao país, fortalecendo a narrativa de que certas informações seriam removidas. O tribunal da Califórnia decidiu manter os diários na Hoover.
Pacotes de arquivos de Tiananmen circulam além dos diários. Ativistas que participaram dos protestos ou promovem memórias continuam a atuar, mesmo diante de assédio e prisões. Em recente movimento, um dissidente chinês conseguiu chegar à Coreia do Sul buscando refúgio após perseguição, aumentando a pressão internacional sobre o tema.
O trabalho de recuperação histórica também envolve figuras como Zhou Fengsuo, ex-líder estudantil, hoje diretor executivo de uma ONG de direitos humanos. Ele colaborou para divulgar imagens de 1989 a partir de plataformas públicas, ampliando o alcance para milhões de seguidores. A avaliação é de que a memória permanece ativa, apesar dos entraves.
A preservação internacional do material envolve desafios técnicos e políticos. Ainda assim, especialistas destacam que avanços tecnológicos permitem ampliar o público sem abrir mão da veracidade. Para alguns apoiadores, manter o registro fora da China evita que narrativas oficiais ostruam o debate público.
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