- Relatos de prisões no Irã, desde o início da guerra, revelam torturas, maus-tratos e mortes em prisões, com o regime amenizando o bloqueio de internet.
- O escritor Hamid Asefi, 63 anos, foi espancado durante prisão em Teerã em 5 de março; teve hemorragias no cérebro, passou por cirurgia e está em recuperação.
- Mehnaz, 23 anos, horá vítima de fome e interrogatórios prolongados na prisão de Qarchak, após ser detida por postagens online; perdeu cerca de oito quilos em duas semanas.
- Hesam Alaeddin, 40, foi espancado até a morte após détida em abril; a família revelou perseguição e buscas intermináveis por informações.
- Familiares de vítimas relatam agressões sexuais, puxões de cabelo e humilhações durante interrogatórios; a organização Amnesty International documenta torturas, execuções simuladas e negação de comida e atendimento médico.
Hamid Asefi, escritor iraniano de 63 anos, foi agredido brutalmente durante outra leva de prisões em Teerã. agentes de inteligência invadiram seu apartamento com marreta e machado, arrastaram-no para o interior e continuaram a agressão mesmo após ele pedir uma ordem de prisão. Asefi sofreu golpes no tórax, rins, têmporas e nuca, chegou a perder a consciência e só foi liberado plusieurs semanas depois, sob a alegação de erro administrativo. exames mostraram sangramento intenso no cérebro.
Após a prisão, o escritor foi levado a um centro de detenção com o rosto vendado, onde um interrogador o acusou de ter assinado um documento de condenação aos protestos de janeiro e de manter contato com o governo israelense. Asefi afirma não ter assinado nada e relatou que, semanas após a prisão, precisou de cirurgia para tratar o sangramento cerebral. O caso integra um conjunto de relatos de abusos no sistema prisional do país desde o início do conflito.
Prisões, torturas e relatos de assassinatos
Segundo a Anistia Internacional, houve registros de tortura e maus-tratos desde 28 de fevereiro, incluindo execuções simuladas, agressões severas, suspensão pelas mãos e pés, confinamento solitário, e negação de comida e assistência médica. Relatos de prisioneiras destacam situações de superlotação, falta de higiene e violência física durante interrogatórios.
Mehnaz, 23 anos, é uma dessas jovens que relata abusos. Detida dias antes de uma ofensiva externa, foi confinada na prisão de Qarchak, onde ficou sem alimentação suficiente e foi submetida a interrogatórios repetidos por mais de duas semanas, perdendo peso e testemunhando prisões de dezenas de outras mulheres.
Hesam Alaeddin, pai de duas filhas, foi preso em abril em Teerã durante busca por dispositivos de internet via satélite. A família descreve agressões severas com registro de brutalidade pública. Meses após o encarceramento, o desfecho chegou com a confirmação de falecimento, em circunstâncias que a família descreve como violento, com o corpo retornando sem condições intactas.
Mojgan, ativista de direitos humanos em Teerã, foi agredida pelos agentes ao terem invadido sua residência. Segundo ela, os visitantes bateram na cabeça com a arma e a levaram cega para o centro de detenção, onde houve lesões adicionais, inclusive no dedo do pé.
Vida Rabbani, jornalista, foi presa em 31 de janeiro por assinar uma declaração contra a repressão e pedindo o fim do regime. Em detenção em Sari, sofreu agressões generalizadas, incluindo sofrimento com o uso agressivo do hijab e episódios de violência sexual relatados pela própria jornalista, que descreve danos permanentes ao cabelo e efeitos psicológicos duradouros.
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