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EUA passam a classificar PCC e CV como terroristas e explicam mudanças

Designação de PCC e CV como Organizações Terroristas Estrangeiras entra em vigor nos EUA, ampliando congelamento de ativos e exigências de compliance

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  • Os Estados Unidos passaram a designar o PCC e o CV como Organizações Terroristas Estrangeiras, a partir de hoje, somando-se à classificação já anunciada em maio (SDGT).
  • A designação de FTO envolve congelamento de ativos, proibição de transações, entrada de integrantes nos EUA e obrigação de as instituições reportarem fundos relacionados aos grupos ao Tesouro; também pode levar à deportação de membros.
  • A medida não altera imediatamente a legislação brasileira; para valer no Brasil seria necessário incorporar a classificação por lei, tratado ou resolução vinculante da ONU.
  • O governo brasileiro diz não esperar impactos imediatos na economia, mas há preocupação com possíveis intervenções unilaterais dos EUA e a possibilidade de reunião entre Lula e Trump durante o G7.
  • Especialistas apontam riscos ao sistema financeiro e à economia, com maior necessidade de compliance, custos e possível efeito reputacional para bancos e empresas com atuação internacional.

O PCC (Primeiro Comando da Capital) e o CV (Comando Vermelho) passaram a ser designados como Organizações Terroristas Estrangeiras pelos Estados Unidos a partir desta sexta-feira (5). A mudança complementa a classificação já vigente desde maio como SDGT (Terroristas Globais Especialmente Designados). A designação visa interromper o fluxo de recursos e frear atividades consideradas narco-terroristas, segundo o governo americano.

A decisão ocorre após o Departamento de Estado ter informado, em 28 de maio, que as facções já estavam enquadradas como SDGT. Com a nova designação de FTO, o marco legal exige notificação ao Congresso e torna crime o fornecimento de apoio material aos grupos. O objetivo é facilitar congelamento de ativos e o monitoramento de transações.

Na prática, as duas classificações — SDGT e FTO — autorizam congelamento de ativos, bloqueio de transações e restrições de entrada de integrantes nos EUA, além de obrigarem instituições financeiras americanas a reportar fundos ligados às facções. As medidas não alteram a legislação brasileira de imediato.

Impactos legais e operacionais

Especialistas ressaltam que as ações podem ampliar controles de compliance no Brasil, com maior checagem de beneficiários finais e maior rigor contra lavagem de dinheiro. Bancos e empresas com exposição internacional podem enfrentar custos adicionais e maior escrutínio regulatório.

A partir de agora, o uso de recursos ligados às facções pode ser considerado apoio material sob a lei americana, ampliando o raio de atuação de sanções. A depender da interpretação, operações com investidores ou instituições dos EUA podem ficar mais complexas para instituições brasileiras.

Reação e perspectivas no Brasil

O governo brasileiro afirma que não haverá efeitos imediatos sobre o ordenamento jurídico nacional, mas reconhece que a medida eleva riscos para o sistema financeiro e para a cooperação internacional. Há preocupação com possíveis impactos reputacionais e com mudanças na cooperação com autoridades norte-americanas.

Pesquisas de opinião mostram visões distintas entre brasileiros sobre o tema, com parcela expressiva apoiando a classificação, mas com cautela quanto aos impactos à soberania e à economia. A pauta também envolve discussões sobre a política externa brasileira e possíveis encontros bilaterais entre autoridades dos dois países.

Fontes oficiais destacam que, para valer no Brasil, a decisão precisa de lei, tratado ou resolução vinculante da ONU; a medida americana não tem efeito automático sobre a legislação brasileira. O cenário deixa em aberto o risco de intervenções unilaterais sob a justificativa de combate ao terrorismo.

Com informações de: repórteres da CNN Brasil e da Reuters.

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