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Guerra contra a coca: debate sobre a erradicação

Erradicação forçada de cultivos de coca é apresentada como condição central para cortar a cadeia do narcotráfico e evitar soberania paralela

Colheita de folhas de coca no Vale de Guamuez (Colômbia). (Foto: Carlos Ortega/EFE/Arquivo)
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  • A diplomacia latino-americana discute abandonar a “erradicação” como tabu e defender uma estratégia regional que inclua erradicação forçada nos três países produtores: Colômbia, Peru e Bolívia.
  • Na Colômbia, o cultivo de coca e a produção de cocaína atingiram patamares históricos em 2023, com 253 mil hectares cultivados e produção potencial de cerca de 2.664 toneladas; em 2024 há disputa sobre números, mas a dimensão do problema permanece.
  • O Equador, mesmo não sendo grande produtor, tornou-se rota logística de cocaína, com violência elevada e aumento de apreensões, evidenciando a expansão da atividade para além da produção.
  • Na Bolívia, a área de coca atingiu aproximadamente 34 mil hectares em 2024, alta de 10% em relação ao ano anterior, com usos tradicionais reconhecidos, mas excedentes voltados ao mercado ilegal sendo alvo de críticas, incluida cooperação com a DEA.
  • No Peru, foram registrados 89.755 hectares de coca em 2024, queda em relação a 2023, mas o país enfrenta fragilidade institucional e redes criminosas que dificultam o controle; a proposta de plano regional defende uma arquitetura de erradicação, interdição e desenvolvimento condicionado.

A diplomacia latino-americana passou a evitar a palavra “erradicação” no debate sobre coca. Em vez disso, falam de substituição voluntária, desenvolvimento alternativo e redução de danos. Mesmo assim, analistas afirmam que apenas estratégias psicologicamente confortáveis não resolvem o problema.

A cocaína continua sendo uma questão de soberania para áreas controladas pelo narcotráfico. Onde a planta domina, o Estado perde espaço, e surgem grupos armados, redes de lavagem de dinheiro e corrupção local. A relação entre cultivo, violência e desintegração institucional é direta.

Dados recentes evidenciam o retrato regional: Colômbia registra crescimento histórico na área cultivada e na produção potencial. Em 2023, foram 253 mil hectares; a produção estimada chegou a 2.664 toneladas. Em 2024, estimativas variam, mas apontam para escala ainda maior, com controvérsias sobre metodologia.

Contexto regional

A violência associada à coca transborda fronteiras. O Equador, não principal produtor, tornou-se rota logística e ponto de apoio a redes andinas, com alto índice de homicídios e grandes volumes de apreensões de drogas. Tal dinâmica mostra como a geografia regional amplifica o impacto.

Na Bolívia, o governo herdado por Rodrigo Paz adotou cooperação com autoridades estrangeiras para enfrentar o problema. A ONU aponta crescimento de hectares de coca em 2024, mantendo usos tradicionais, porém com excedente destinado ao mercado ilegal. O Chapare, historicamente allied a movimentos cocaleiros, permanece em foco.

No Peru, a área cultivada de coca caiu em 2024 comparado a 2023, segundo a ONU. Mesmo com a redução, redes criminosas continuam operando em áreas remotas, aproveitando instabilidade política para replantio e expansão de rotas. O cenário reforça a necessidade de ações coordenadas.

Planos e caminhos

A eleição de Abelardo de la Espriella movimenta o debate sobre uma cooperação mais estreita com Washington e uma estratégia de segurança baseada em resultados. A proposta envolve erradicação efetiva, controle territorial e desenvolvimento condicionado, com atuação regional.

Especialistas defendem que a erradicação sozinha não basta: é preciso combinar coerção estatal, inteligência, cooperação internacional e fortalecimento institucional. Substituição voluntária sem presença do Estado tende a falhar, assim como políticas de desenvolvimento sem segurança.

A ideia é construir uma arquitetura andina de erradicação e interdição, com participação de Colômbia, Bolívia e Peru. Sem medidas firmes contra a produção na origem, a cadeia criminosa encontra caminhos para contornar políticas e manter fluxos para mercados consumidores.

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