- A Rússia aumentou os ataques aéreos na Ucrânia, tentando sobrecarregar as defesas aéreas enquanto não obtém avanços significativos no terreno.
- Especialistas dizem que a estratégia de sobrecarga usa ondas de drones baratos seguidas por mísseis balísticos de alta velocidade e, por fim, mísseis de cruzeiro.
- Na terça-feira, foram usados oito mísseis hipersônicos Zircon, o maior número em uma ofensiva; nenhum foi interceptado, deixando 23 mortos e 151 feridos.
- As defesas ucranianas conseguem interceptar cerca de noventa por cento dos drones, mas têm mais dificuldade com mísseis balísticos e hipersônicos; o presidente Zelenski afirmou que recebe entre sessenta e cinquenta e cinco interceptores por mês.
- Kiev regista danos em edifícios e infraestruturas, com ataques também em Dnipro e Kharkiv; um bombeiro morreu em um ataque duplo em Dnipro.
Os ataques aéreos da Rússia contra a Ucrânia aumentaram nos últimos meses, com mais drones e mísseis de alta velocidade. A escalada ocorre enquanto Moscou busca avanços significativos no terreno, sem sucesso até o momento. A estratégia parece visar sobrecarregar as defesas aéreas ucranianas por meio de grandes ondas de ataque.
Especialistas sugerem que ataques em fases, com drones baratos, depois mísseis balísticos de alta velocidade e, por fim, mísseis de cruzeiro, elevam o número de arpões contra alvos ucranianos. A tática é apresentada como forma de maximizar danos com recursos limitados.
Ataques de terça-feira (2) incluíram oito mísseis hipersônicos Zircon, de alta velocidade, segundo autoridades ucranianas. Foi o maior conjunto já utilizado em uma ofensiva única. Nenhum dos oito mísseis foi interceptado, e o bombardeio deixou 23 mortos e 151 feridos em todo o país.
Aumento na frequência de ataques está ligado a dificuldades russas de obter ganhos estratégicos no campo de batalha, avaliam analistas. Thomas Withington, do think tank Rusi, aponta que a pressão militar sobre a Ucrânia tende a se reduzir se não houver avanços.
No começo de 2024, a Rússia lançava cerca de 5 mil drones Shahed por mês; o número subiu para mais de 8 mil no mês anterior, conforme CSIS. Drones atingem alvos civis e infraestrutura, mas as defesas ucranianas vêm reagindo de modo eficaz diante da escala recente.
A Ucrânia mantém taxas de interceptação de drones próximas de 90% mensais, com uso de guerra eletrônica para desviar munição de áreas povoadas. Interceptação de mísseis balísticos e hipersônicos, contudo, enfrenta dificuldade maior, exigindo sistemas avançados.
Ataques, defesas e impactos
Na terça-feira, 41 mísseis balísticos foram lançados pela Rússia, com 30 atingindo alvos na Ucrânia. Zelensky afirmou à CBS News que a Ucrânia recebe cerca de 60 a 65 interceptores por mês, devido a limitações de produção. O porta-voz da Força Aérea, Yurii Ihnat, mencionou escassez de mísseis Patriot por uso em outras regiões.
Especialistas destacam que Kiev, alvo estratégico, precisa de proteção ampliada, dada a concentração de alvos na capital. Mesmo assim, danos ocorreram a prédios residenciais e comerciais, com incêndios e veículos em chamas. Algumas instalações militares também foram atingidas, segundo o Ministério da Defesa russo.
Em Kiev, a última onda de ataques teve menor resposta de defesas aéreas pela manhã, com explosões contínuas, mas sem o som claro de disparos de sistemas de defesa. Em Dnipro, houve múltiplas vítimas; em Kharkiv, houve interrupções em infraestruturas de energia.
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