- Delegação de seis representantes dos refugiados chagossianos pediu aos parlamentares britânicos que concluam a legislação estagnada para entregar as Ilhas Chagos a Maurício, após o governo ser obrigado a adiar o acordo quando os EUA recuaram de seu apoio.
- O líder da delegação, Louis Olivier Bancoult, afirmou que o foco não é soberania, e sim os direitos das pessoas que foram removidas de suas terra natal.
- Bancoult relembrou que iniciou uma batalha legal em 1996 contra o governo britânico para possibilitar o retorno, após a família ser removida em 1965.
- A delegação criticou restrições legais que impedem o reassentamento e apontou narrativas divergentes de líderes conservadores e da imprensa.
- Participaram dos encontros parlamentares figuras como o ex-líder trabalhista Jeremy Corbyn e o presidente do comitê de direitos humanos, Lord Alton, que apoiam o retorno permanente.
O grupo de chagosianos pediu aos parlamentares britânicos que concluam a legislação para entregar as Ilhas Chagos a Maurício, após o governo ter feito a peça legislativa avançar apenas até certo ponto. A delegação, composta por seis membros da Chagos Refugees, esteve no Reino Unido para pressionar pela retomada do processo.
A liderança, Louis Olivier Bancoult, destacou que a prioridade são os direitos das pessoas afetadas, não a soberania. Ele afirmou que não há, segundo ele, vontade real do governo britânico de buscar uma solução para os deslocados, que querem retornar ao seu lugar de nascimento.
Bancoult explicou que, desde 1996, ele trava uma disputa jurídica contra o governo britânico e mantém o objetivo de retorno após a expulsão em 1965. A delegação afirma que as restrições legais atuais no regime British Indian Ocean Territory impedem o reassentamento.
A reunião com parlamentares ocorreu na sexta-feira, em West Sussex, com a participação de membros da comunidade. Os relatos ressaltaram que muitos nasceram em Chagos, mas não podem retornar sem autorização, enquanto outras gerações podem fazê-lo.
Entre os presentes, Rosemonde Bertin relatou ter sido deportada para Maurício em 1972 e ser a última a ter dado à luz em Chagos. Ela lembrou a dificuldade de visitar o local de origem, mesmo possuindo autorização para ir apenas por breve período.
Outros participantes, que saíram ainda crianças, expressaram o desejo de retornar de forma permanente. O grupo também contou com Liseby Elyse, que sofreu uma perda gestacional ao deixar a ilha.
A delegação manteve contatos com policymakers, incluindo Jeremy Corbyn e Lord Alton, que atua na comissão de direitos humanos. Ambos apoiam a causa dos chagosianos e a ideia de retorno. Corbyn citou o direito internacional e a atuação do ICJ.
Corbyn mencionou que, segundo ele, o direito internacional indica que as Ilhas Chagos pertencem a Maurício. Em 2019, uma opinião consultiva do ICJ, endossada pela ONU, indicou que o Reino Unido violou o direito internacional ao manter a reivindicação.
A visita ocorre após o atraso da legislação britânica e reforça o debate sobre o estatuto final das ilhas. As partes envolvidas dizem buscar uma solução que permita o retorno dos chagosianos às suas casas, conforme decisões internacionais.
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