- Congresso discute eventual estado de exceção enquanto manifestações pedem a renúncia do presidente Rodrigo Paz e medidas para conter a alta do custo de vida, em meio a uma onda de protestos que já dura 36 dias.
- Bloqueios de estradas em La Paz e El Alto prejudicam o abastecimento de verduras, frutas, combustíveis e gás, com as cidades dependentes de regiões como Santa Cruz e Cochabamba.
- Forças de segurança desbloquearam rotas para os vales de baixa altitude, mas os bloqueios tendem a ser retomados; operações foram realizadas sem uso de armamento letal.
- A crise elevou os preços de alimentos e gerou desabastecimento; pelo menos dez pessoas morreram por falta de atendimento médico, e hospitais relatam falta de oxigênio medicinal.
- Economicamente, as perdas são estimadas em US$ dois bilhões; Paz afirma buscar diálogo e corredores humanitários, recebendo apoio internacional, incluindo dos Estados Unidos.
O Congresso da Bolívia discute a possibilidade de estado de exceção em meio a uma onda de protestos que já dura 36 dias. Manifestantes pedem a renúncia do presidente Rodrigo Paz e a adoção de medidas para enfrentar a alta do custo de vida. A violência tem se mantido contida, mas os bloqueios de estradas prejudicam o abastecimento.
Ruas de La Paz seguem desabastecidas; a cidade depende de alimentos vindos de regiões produtoras. O bloqueio afeta especialmente o acesso aos vales de baixa altitude, onde fica a região produtora de verduras e frutas.
Paz visitou militares e policiais que desbloquearam uma rota para os vales. O presidente afirmou que as vias serão liberadas por meio do diálogo e de instrumentos legais previstos na Constituição, caso haja necessidade de estado de exceção.
A cobrança de medidas para evitar o desabastecimento é discutida pelo Legislativo. O governo aponta que o marco legal para as Forças Armadas está sob análise para eventual aplicação de medidas excepcionais.
Bloqueios continuam em El Alto, onde fica a usina estatal responsável pelo abastecimento de combustíveis e GLP para uso doméstico. El Alto é o epicentro dos protestos e o principal ponto de entrada de suprimentos de Santa Cruz e Cochabamba.
As forças de segurança não utilizam armamento letal, mas as operações não impediram a retomada dos bloqueios após a passagem das tropas. A atuação busca manter o mínimo de serviços essenciais.
O impacto econômico é expressivo; o setor privado estima perdas na casa de bilhões de dólares. O aumento dos preços de alimentos atinge principalmente La Paz, já afetada pela redução de transporte e de combustível.
Segundo o porta-voz da Presidência, dez pessoas morreram por falta de atendimento médico durante os bloqueios. Hospitais também relatam escassez de oxigênio medicinal em alguns locais.
Paz tem defendido o diálogo com os manifestantes e a criação de corredores humanitários em La Paz. O governo evita o uso de força para não agravar o conflito e tem recebido apoio internacional para o transporte de alimentos.
Manfred Reyes Villa, prefeito de Cochabamba, classificou a crise como golpe de Estado em curso, em meio aos bloqueios que afetam várias regiões. A afirmação evidencia a tensão política associada aos protestos.
O presidente Paz trabalha para reduzir o impasse com apoio internacional. O maior suporte vem dos Estados Unidos, que reiteraram compromisso com a democracia boliviana e com a reconstrução do país após 20 anos de políticas socialistas.
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