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LACLIMA analisa uso da terra no regime climático global

Relatório da LACLIMA aponta quatro eixos de atuação para incidência política em AFOLU, após COP30, destacando lacunas em decisões operacionais da UNFCCC

Foto: Divulgação | LACLIMA / DINO
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  • A LACLIMA publicou estudo sobre AFOLU na UNFCCC, mapeando espaços de governança e cobrindo os resultados da COP30, realizada em Belém em 2025.
  • Constatou que a COP30 manteve foco principalmente processual, sem traduzir em decisões operacionais robustas; agricultura, sistemas alimentares e segurança alimentar ficaram ausentes dos resultados políticos.
  • Fora dos espaços formais, a Agenda de Ação ganhou impulso, com iniciativas como o Tropical Forest Finance Facility (TFFF), a RAIZ, a TERRA, a FAST e a Declaração sobre Agricultura Sustentável, mas com caráter voluntário e monitoramento limitado.
  • O estudo identifica quatro eixos estratégicos para atuação: produção agropecuária e transição produtiva; desmatamento, restauração e uso da terra; agricultura familiar e inclusão socioprodutiva; bioeconomia e cadeias sustentáveis.
  • Recomendaincidência estratégica que combine atuação multilateral, Agenda de Ação e políticas nacionais, apontando para uma ação climática mais justa e territorialmente orientada; as negociações seguem na UNFCCC, com foco na SB64 e no segundo workshop do SJWA.

A LACLIMA divulgou um relatório sobre o uso da terra no regime climático global, com base no estudo conduzido por Renata Potenza e Flávia do Amaral Vieira. O apoio foi do Instituto Clima e Sociedade (iCS) e da Proteção Animal Mundial (WAP). O trabalho avalia a governança climática internacional da UNFCCC e da COP30, realizada em Belém, em 2025.

O material aponta onde atuam os espaços de decisão em AFOLU, destacando a produção agropecuária, restauração de ecossistemas e bioeconomia. O setor é a principal fonte de emissões no Brasil, mas também detém grande potencial de soluções climáticas, segundo o relatório.

Quatro eixos estratégicos

O documento propõe quatro eixos para orientar uma agenda de incidência: produção agropecuária e transição produtiva; desmatamento, restauração e uso da terra; agricultura familiar e inclusão socioprodutiva; e bioeconomia e cadeias sustentáveis. A avaliação foca oportunidades e desafios de cada tema.

No eixo de produção, o estudo analisa como alinhar práticas produtivas com metas climáticas e com políticas nacionais já existentes, buscando ganhos de eficiência e redução de emissões. Na restauração, são avaliados mecanismos de financiamento, monitoramento e resultados tangíveis.

Desmatamento e uso da terra também recebem atenção, com ênfase em governança, fiscalização e ações de restauração. Já no eixo da agricultura familiar, o foco é ampliar participação, acesso a recursos e inclusão socioprodutiva de comunidades locais.

Por fim, a bioeconomia é apresentada como rota para cadeias sustentáveis, incentivo a inovação e transição para atividades de baixo carbono. O relatório ressalta que, apesar de avanços, muitas iniciativas são voluntárias e carecem de monitoramento estruturado.

Contexto e próximos passos

O estudo observa que a COP30 teve resultados sobretudo processuais, sem decisões operacionais robustas em AFOLU, agricultura e alimentação. Fora dos espaços formais, surgiram iniciativas como o Tropical Forest Finance Facility (TFFF) e a RAIZ, entre outras.

O material sugere que a incidência estratégica prospere quando houver atuação multilateral alinhada a políticas nacionais, conectando produção sustentável, restauração e bioeconomia a uma agenda climática territorial. O relatório pretende orientar organizações da sociedade civil e formuladores de políticas públicas.

O documento integra uma série de publicações da LACLIMA para ampliar a compreensão do regime climático internacional. Em 2026, as negociações da UNFCCC devem ocorrer em órgãos subsidiários, com destaque para a SB64, em Bonn, e o segundo SJWA workshop.

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