- O Senado bloqueou a extensão do programa de vigilância governamental, com sete senadores republicanos juntando-se aos democratas na votação.
- A medida questionava a renovação da seção 702 da Lei de Vigilância de Inteligência Estrangeira (Fisa), prevista para expirar na próxima semana.
- O impasse ocorreu após a nomeação de Bill Pulte, produtor imobiliário e financiador republicano, como diretor interino de inteligência nacional.
- O presidente Donald Trump enfrentou críticas pela escolha de Pulte, que não tem experiência em inteligência nem em aplicação da lei.
- Como contexto, a Câmara dos Deputados já rejeitou uma extensão de dezoito meses da Fisa, em meio a divergências internas no Partido Republicano.
O Senado bloqueou na sexta-feira a extensão de um poderoso programa de vigilância governamental, em resposta à nomeação de Bill Pulte, aliado de Donald Trump e herdeiro de uma fortuna no setor de construção, para atuar como diretor interino de inteligência nacional. A votação ocorreu após o presidente anunciar a solução de continuidade para a seção 702 da Lei de Vigilância de Inteligência Estrangeira (Fisa). O descontentamento uniu sete senadores republicanos a democratas.
A extensão do programa, que permite às agências de inteligência coletar comunicações de alvos estrangeiros fora do país sem mandado, estava em debate desde a nomeação de Pulte. Críticos ressaltam que o envolvimento de contatos ou informações de americanos poderia ocorrer sem mandado, devido ao trânsito de dados por servidores dos Estados Unidos.
O líder da maioria no Senado, John Thune, disse que a casa tentará novamente a medida na próxima semana, embora tenha mostrado ceticismo quanto a chances de aprovação. Ele afirmou que os democratas adotaram posição considerada irresponsável por se opor à extensão da Fisa.
Entre os senadores que votaram contra a extensão, houve votos de republicanos que cruzaram o corredor para apoiar os democratas, somando ao bloco que rejeitou a medida. Um democrata, John Fetterman, também participou do grupo de derrotados, aumentando a contundência da oposição.
Mark Warner, democrata da Virgínia e vice-presidente da comissão de inteligência do Senado, afirmou que Pulte foi escolhido por lealdade ao presidente, destacando a ausência de experiência em inteligência, aplicação da lei ou atuação parlamentar do indicado. Ele disse ainda que a nomeação poderia deixar o país menos preparado ante adversários como Rússia, China e Irã.
A controvérsia sobre Pulte começou dias após Tulsi Gabbard anunciar sua saída do cargo de diretora de inteligência, o que intensificou o debate sobre a qualificação necessária para o posto. Trump reiterou que a nomeação de Pulte não seria permanente e tratou a nomeação como alternativa de curto prazo.
A votação ocorreu dias antes do prazo de 12 de junho para a decisão final sobre a extensão da Fisa. Caso a medida tenha sido aprovada, o Senado ainda enfrentaria um último passo antes do vencimento do prazo com uma votação final, prevista para ocorrer na semana seguinte.
Fontes indicaram que Warner chegou a discutir com Thune a possibilidade de reverter a nomeação junto à Casa Branca, demonstrando que um acordo bipartidário sobre a Fisa poderia se desmanchar se Trump mantivesse a nomeação de Pulte. Trump tentou acalmar o ambiente ao afirmar que a nomeação não seria permanente e que seria apenas temporária.
O programa de vigilância é uma peça central do aparato de inteligência dos Estados Unidos, e a disputa envolve diferentes leituras sobre o equilíbrio entre segurança nacional e privacidade. O desfecho da votação no Senado permanece incerto, com a prática de negociações ainda em andamento e a possibilidade de novas tentativas para a aprovação da extensão.
*Contribuição da Associated Press.*
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