- A psicoterapeuta infantil Katrin Glatz Brubakk, da Médicos Sem Fronteiras, atua com crianças de Gaza que perderam a capacidade de falar devido a traumas graves; a profissional afirma que há mais de um milhão de crianças traumatizadas na região.
- Um caso citado é o de Adam, cinco anos, que, após a morte do pai em ataque, deixou de interagir e de falar, apresentando desinteresse pela alimentação e pelo convívio.
- Esses traumas podem deixar sequelas no cérebro: a amígdala fica maior e o córtex pré‑frontal fica subdesenvolvido, o que compromete desenvolvimento, linguagem, resolução de problemas e regulação emocional.
- Brubakk trabalha com espaços seguros, rotina estruturada e retorno à escola, usando brincadeiras para facilitar a expressão; as “bolhas de sabência” ajudam a acalmar o sistema nervoso e promover a comunicação. Um exemplo é Mona, de seis anos, que criou uma casa de bonecas após brincar com papelão e fita.
- A autora afirma que o acesso humanitário a Gaza está restrito para equipes internacionais desde janeiro; os relatos destacam violência contínua e altos números de mortos e feridos, reforçando a necessidade de paz e de condições para que as crianças voltem a viver com dignidade.
A psicoterapeuta Katrin Glatz Brubakk, da organização MSF, atua em Gaza para atender crianças que sofreram traumas severos e podem ter danos cerebrais permanentes. Entre os casos, destaca-se a dificuldade de algumas crianças em falar após experiências de violência, destruição e medo.
Adam, antes uma criança ativa e comunicativa, deixou de interagir aos 5 anos devido ao impacto da guerra. Brubakk relata que esse tipo de reação é comum em Gaza, onde a violência persistente leva ao silenciamento de muitas crianças.
A situação envolve muitos jovens em Gaza. Profissionais locais indiquem que o número de crianças que param de se comunicar tem aumentado, conforme relatos de residentes e de organizações humanitárias.
O que a terapeuta observa
Brubakk descreve que o trauma constante eleva o nível de estresse e pode alterar estruturas do cérebro, como a amígdala e o córtex pré-frontal, comprometendo linguagem, memória e pensamento. O silêncio não é escolha, mas resposta neural ao ambiente.
Casos tratados na prática
Entre os casos, além de Adam, há meninas e meninos que entram sem respostas ao mundo externo. Em quase todos, a recuperação ocorre aos poucos, com rotinas seguras, retorno à escola e momentos de brincar que ajudam a expressar emoções.
O papel da brincadeira
A terapeuta usa técnicas lúdicas para aproximar as crianças do próprio sentir. Bolhas de sabão são chamadas de “bolhas de esperança” e ajudam a acalmar o sistema nervoso, facilitar a comunicação e estimular a fala. Brincar permite externalizar o trauma sem expor a criança a confrontos diretos.
Contexto humanitário em Gaza
Mesmo após o cessar-fogo, ataques continuam de forma rotineira e a violência persiste. O número de mortes em Gaza pelo conflito é superior a 846 segundo dados locais, com dezenas de milhares de feridos, e muitos civis entre as vítimas. O acesso de organizações de ajuda tem sido restringido.
Sobre o estado de saúde infantil
Casos de queimaduras graves são comuns entre crianças de 4 a 6 anos que vivem em áreas de conflito. O tratamento médico é complexo, envolve cirurgia, curativos sob anestesia e longos períodos de recuperação, agravados pela escassez de alimento e condições de abrigo instáveis.
Desafios da assistência
A assistência médica é dificultada pela suspensão de entrada de equipes internacionais em Gaza desde janeiro. Com equipes locais, a MSF continua atendendo, mas a continuidade dos trabalhos depende de melhoria no acesso e segurança para quem está na linha de frente.
Perspectivas de longo prazo
Brubakk enfatiza que, sem um ambiente estável e seguro, o desenvolvimento cognitivo e emocional das crianças fica comprometido. O objetivo é oferecer espaços seguros, educação regular e oportunidades de brincar para reduzir impactos crônicos.
Sobre a motivação da profissional
A médica relata que a experiência pessoal com traumas familiares impulsiona seu trabalho. Ela busca impedir a repetição de violências graves contra crianças, promovendo cuidado, proteção e perspectivas de futuro.
Fonte e contexto
A reportagem reuniu relatos de Brubakk à BBC Mundo, com informações da MSF e de autoridades locais. As informações destacam a necessidade de ações humanitárias contínuas para proteger a infância em Gaza.
Entre na conversa da comunidade