- Profissionais de saúde no leste da República Democrática do Congo trabalham para tratar pacientes com Ebola, proteger equipes e evitar a transmissão, em meio à ausência de medicamentos aprovados contra o vírus Bundibugyo.
- A Cube, unidade de tratamento autônoma para doenças infecciosas, permite atendimento com menos contato direto; duas estruturas chegaram a Bunia e outras duas estão a caminho, enquanto os estoques de EPIs ainda são limitados.
- Já são mais de 282 casos confirmados e 42 mortes, além de mais de 1.000 casos suspeitos, com confirmação lenta dificultando o mapeamento da transmissão entre Ituri, Kivu do Norte, Kivu do Sul e Uganda.
- A escassez de kits de testagem é uma preocupação; os sintomas iniciais são semelhantes a outras doenças infecciosas da região, e pacientes precisam de dois testes negativos para alta.
- O surto ocorre em meio ao conflito na região, com ataques a centros de saúde; a Organização Mundial da Saúde pediu cessar-fogo para permitir acesso seguro das equipes, enquanto organizações como ALIMA e Médicos Sem Fronteiras mantêm apoio técnico e clínico.
Os profissionais de saúde do leste da República Democrática do Congo trabalham para tratar pacientes com Ebola, proteger a própria equipe e evitar a transmissão do vírus Bundibugyo, variante em circulação no surto atual. A resposta ocorre em Ituri, com foco nas áreas de Bunia, quando as estruturas de atendimento são ampliadas e os EPIs são distribuídos.
Casos seguem em aumento, com pacientes suspeitos e confirmados isolados. Equipes médicas utilizam equipamentos de proteção individual para reduzir o risco de contágio durante o atendimento. A ONG ALIMA desenvolveu a Cube, unidade de tratamento autônoma para doenças infecciosas, para oferecer cuidado sem contato direto.
Medidas de proteção e Cube
A Cube permite que pacientes recebam atendimento com luvas em túnel acopladas, mantendo distância física entre profissionais e pacientes. Segundo o coordenador de resposta da ALIMA, Papys Lame, o dispositivo garante padrões de assistência e proteção aos profissionais, além de favorecer a relação com familiares.
Duas Cubes chegaram a Bunia no fim de semana e devem começar a operar em breve; outras duas estão a caminho. Ainda assim, os estoques de EPIs são limitados, elevando preocupações entre enfermeiros e equipes de apoio, conforme alertado pelo Conselho Internacional de Enfermeiros.
Contagem de casos e desdobramentos
Autoridades e organizações informam mais de 282 casos confirmados, com 42 óbitos, além de mais de 1.000 casos suspeitos, dos quais parte resultou em mortes. Não há medicamento aprovado específico para o Ebola Bundibugyo, apenas cuidados de suporte, como oxigênio, fluids e controle de desidratação.
O diagnóstico depende de testes laboratoriais, que exigem tempo e repetição para confirmação. Pacientes com resultados positivos recebem tratamento de sintomas até que haja dois testes negativos para alta, mantendo o isolamento durante o manejo clínico.
Contexto de segurança e combate ao surto
O contexto regional complica a resposta: conflitos armados afetam a capacidade de rastrear contatos e manter centros de atendimento. A Organização Mundial da Saúde, representada pelo diretor-geral Tedros Adhanom Ghebreyesus, pediu colaboração comunitária e cessar-fogo para facilitar a atuação de equipes.
Ataques a unidades de saúde, sobretudo em Ituri, dificultam o mapeamento da transmissão e o acesso a áreas com casos. Mesmo assim, organizações humanitárias, como ALIMA e Médicos Sem Fronteiras, mantêm operações em cidades controladas por grupos armados, apoiando tratamento e capacitação de profissionais.
Perspectiva de proteção e bem-estar
Especialistas destacam que o bem-estar psicológico dos pacientes é essencial, com a Cube ajudando a manter vínculos familiares. O protocolo de dupla supervisão busca reduzir riscos para quem atende, apesar do calor intenso do ambiente equatorial, que dificulta jornadas prolongadas de trabalho.
Entre profissionais que chegaram a recuperar-se, relatos indicam que a proteção eficaz e o suporte humano são fatores determinantes para manter a continuidade do atendimento. As equipes ressaltam a necessidade de recursos contínuos para sustentar a resposta.
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