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Operação retira 13 kg de urânio enriquecido da Venezuela para os EUA

Operação internacional retira 13 kg de urânio altamente enriquecido da Venezuela, sob supervisão da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), EUA e Reino Unido

Venezuela obteve seu reator nuclear experimental no contexto do programa Átomos para a Paz, lançado pelo governo de Eisenhower
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  • Em fim de abril, um comboio venezuelano transportou cerca de 13 kg de urânio altamente enriquecido do Instituto Venezolano de Pesquisas Científicas (Ivic) até o porto de Puerto Cabello, a caminho dos Estados Unidos.
  • A operação envolveu governo da Venezuela, Estados Unidos e Reino Unido, além da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), com planejamento de anos para garantir a segurança.
  • O urânio, com concentração acima de 20% de urânio-235, era combustível do reator RV-1, instalado nos anos 1960 no âmbito do programa Átomos para a Paz.
  • O material foi transportado pelo navio Pacific Egret, com apoio da divisão britânica Nuclear Transport Solutions, e levado ao complexo de Savannah River, na Carolina do Sul, para processamento.
  • A operação foi acelerada após a captura de Nicolás Maduro em janeiro, segundo autoridades venezuelanas, e a Agência informou que a retirada soma-se a outras ações para eliminar material nuclear de uso militar.

A Venezuela encerrou uma operação sigilosa que resultou no envio de cerca de 13 kg de urânio altamente enriquecido para os Estados Unidos. O material, com concentração acima de 20% de urânio-235, foi transportado por um comboio militar em fim de abril, partindo de Caracas rumo ao porto de Puerto Cabello, no estado de Carabobo. A carga seguiu em contêiner protegido, sob escolta.

Segundo as autoridades, a ação envolveu os governos da Venezuela, dos EUA e do Reino Unido, além da Aiea. A agência destaca que se tratou de uma missão planejada com rígidas normas de segurança para evitar riscos de proliferação ou uso indevido do material nuclear.

Especialistas afirmam que o HEU pode, em teorema, alimentar reatores e pesquisas, mas também representa potencial de uso militar. A retirada venezuelana busca evitar que material de uso pacífico caia em mãos inadequadas, segundo a avaliação de analistas consultados pela BBC Verify.

Contexto histórico

Os 13 kg eram combustível utilizado no RV-1, primeiro reator nuclear da Venezuela instalado no Ivic na década de 1960, criada no âmbito do programa Átomos para a Paz. O RV-1 operou como reator de pesquisa até 1991 e teve parte do combustível removido em 1997.

O reator foi convertido posteriormente em instalação para esterilização de instrumentos por raios gama, com combustível vindo dos EUA e do Reino Unido, conforme a AIEA. O material hoje está sob custódia segura, mantido pela Venezuela até a presente operação.

O Reino Unido participou do planejamento após solicitação venezuelana em 2017, com cooperação da AIEA. As autoridades britânicas forneceram o navio Pacific Egret para o transporte até Savannah River, na Carolina do Sul, onde o urânio foi processado.

A operação começou no início de abril e teve a supervisão da AIEA, que cuidou das salvaguardas técnicas e da capacitação da equipe venezuelana. A NNSA dos EUA acompanhou o deslocamento, com apoio logístico de autoridades britânicas.

O governo americano informou que, até o início de maio, havia retirado ou eliminado mais de 7.340 kg de material nuclear para uso militar. A BBC Verify informou que o objetivo era impedir que urânio altamente enriquecido fosse adquirido por atores não estatais.

O material venezuelano foi carregado no porto de Puerto Cabello, embarcado no Pacific Egret e transferido para Savannah River, onde as autoridades devem ter validado o destino seguro do HEU. A operação foi concluída com sucesso, segundo o Departamento de Estado dos EUA.

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