- Xi Jinping chegou a Pyongyang para uma visita de dois dias, começando em 8 de junho, com objetivo de fortalecer a relação com a Coreia do Norte.
- A caminhada busca consolidar a legitimidade externa e interna de Kim Jong-un, mostrando ao país o reconhecimento de uma das maiores potências, a China.
- A visita ocorre 65 anos após o tratado de amizade entre China e Coreia do Norte, celebrado em julho, e em meio a tensões com a Rússia e sanções internacionais.
- Kim busca ampliar laços com a China para impulsionar a economia norte-coreana e ampliar sua presença internacional, incluindo possível adesão a blocos como OCX ou Brics.
- A China tem aumentado exportações para a Coreia do Norte e Kim, por sua vez, pretende atrair mais turistas chineses e reforçar a cooperação econômica e diplomática na região.
Xi Jinping chegou nesta segunda-feira, 8 de junho, para uma visita de dois dias à Coreia do Norte, a primeira desse porte há anos. A pauta inclui fortalecer laços com Pyongyang e sinalizar ao governo norte-coreano que a China o reconhece como aliado estratégico.
O encontro entre Xi e Kim Jong-un ocorreu poucos meses antes do aniversário de 65 anos do tratado de amizade entre ambos, celebrado em julho. A viagem é encarada como oportunidade para demonstrar legitimidade externa ao regime norte-coreano e fortalecer cooperação econômica e militar.
Contexto regional
Analistas destacam que a China e a Coreia do Norte mantêm uma relação histórica próxima, sobrevivente a décadas de tensões. O relacionamento remonta ao período da Guerra da Coreia, e a China tem sido um suporte relevante para Pyongyang ao longo dos anos.
O entendimento entre as duas nações já envolve comércio e assistência militar, ainda que sob sanções internacionais. Observadores apontam que Pequim busca consolidar a influência na região e evitar que Pyongyang se aproxime excessivamente de outras potências, como a Rússia.
Objetivos de Xi e de Pyongyang
Para Xi, a visita serve para fortalecer a parceria com a Coreia do Norte, consolidando a atuação chinesa na região do Indo-Pacífico. Entre os objetivos está manter Pyongyang como parceiro estratégico diante de mudanças de alianças e pressões internacionais.
Kim Jong-un, por sua vez, pretende ampliar vínculos econômicos com a China para sustentar a recuperação econômica norte-coreana. Dados do banco central sul-coreano indicam que o PIB norte-coreano cresceu cerca de 3% nos dois últimos anos, após períodos de queda.
Perguntas estratégicas
Especialistas mencionam que Pyongyang pode buscar maior integração com organizações regionais, como a OCX ou Brics, ainda que a Coreia do Norte não seja membro. A China, ao apoiar tais movimentos, aponta para uma posição de liderança regional.
Além disso, Kim tem promovido a ideia de que a Coreia do Norte deve ser vista como um país estável e respeitável no cenário internacional, algo que poderá ser reforçado pela parceria com Pequim. A presença de Xi é vista como um sinal concreto desse reconhecimento.
Repercussões esperadas
Estimativas indicam que Pequim busca evitar um afastamento excessivo entre Pyongyang e Moscou e manter um espaço de influência na península, especialmente diante de tensões na Ucrânia. A viagem também é vista como movimento para estimular o turismo e melhorar o acesso econômico norte-coreano, incluindo a região de Wonsan-Kalma.
Analistas ressaltam ainda que o diálogo pode abrir espaço para mais exportações chinesas à Coreia do Norte e ampliar contatos diplomáticos, com impactos potenciais na geopolítica regional e nas dinâmicas de sanções internacionais.
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