- O papa Leão XIV pediu aos bispos da Espanha que ouçam as vítimas de abusos clericais e ofereçam reparações, durante visita de uma semana ao país.
- Ele disse que as vítimas devem ver um “compromisso firme” da Igreja para fortalecer as medidas de proteção e criar uma cultura segura.
- Um relatório de 2023 estimou milhares de vítimas de abusos cometidos por membros do clero na Espanha ao longo de décadas, com custos elevados de indenizações.
- O Vaticano informou que o papa se reunirá com um grupo de vítimas durante a viagem, mas ainda não divulgou detalhes; alguns sobreviventes afirmaram que não foram convidados.
- Ativistas criticaram a participação em encontros, alegando que não representam todas as vítimas; Leão XIV visitará Montserrat, incluindo almoço com monges beneditinos.
O Papa Leão XIV pediu aos bispos da Espanha que ouçam as vítimas de abusos cometidos por membros do clero e ofereçam reparação. A mensagem foi proferida durante a primeira viagem dele à Espanha, em meio aos escândalos que abalaram a credibilidade da Igreja local. O pontífice ressaltou a necessidade de um compromisso firme para fortalecer as medidas de proteção e criar uma cultura segura para crianças e pessoas vulneráveis.
Durante o encontro, o líder religioso enfatizou que os sobreviventes devem perceber ações concretas da Igreja. A viagem ao país é de uma semana, sendo a primeira visita de um papa americano a um país da União Europeia fora da Itália.
Reações de grupos de vítimas
Relatos de grupos organizados indicam que ainda não houve convite formal para várias vítimas participarem de encontros com o papa. Uma liderança questionou a representatividade dos sobreviventes que foram recebidos, argumentando que eles não representam o conjunto das vítimas.
Juán Cuatrecasas, presidente do grupo Infância Roubada, disse que a reunião não abrange todas as vítimas e que a Igreja utiliza o momento para limpar a imagem institucional, gerando críticas sobre a representatividade das primeiras ações.
Contexto e desdobramentos
Um relatório de 2023 do Provedor de Direitos Humanos da Espanha estimou milhares de vítimas de abusos clericais ao longo de décadas. O Vaticano não divulgou detalhes de encontros com vítimas adicionais durante a visita.
O programa da viagem inclui uma passagem por Montserrat, perto de Barcelona, onde o papa almoçará com monges beneditinos. O relatório de 2023 aponta que Montserrat aparece entre locais de gravidade reconhecida pelo ouvidor.
O movimento de sobreviventes tem pressionado por medidas mais rigorosas, incluindo acompanhamento psicológico vitalício, indenização justa e apoio à educação e ao emprego. Cardeis espanhóis justificaram ajustes de agenda, ressaltando limitações de tempo do pontífice.
Entre na conversa da comunidade