- Ricardo Faria, CEO da Global Eggs e conhecido como Rei do Ovo, disse que a relação Brasil‑EUA é boa fora das manchetes e pediu que o governo “jogue água na faísca” para evitar escalada.
- Ele afirmou ter se tornado o segundo maior produtor de ovos nos Estados Unidos e que o ambiente de investimentos por lá é favorável, com menor carga tributária e aprovação regulatória mais ágil.
- O governo americano propôs tarifas cumulativas que podem chegar a até trinta e sete e meio por cento sobre as exportações brasileiras.
- No início do mês, o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos recomendou taxação de vinte e cinco por cento sobre produtos brasileiros, além de uma sobretaxa de doze e meio por cento ligada a suposta falha no combate ao trabalho forçado.
- Economistas ouvidos divergem sobre o impacto: Cassiana Fernandes, da JP Morgan, vê risco de tarifas elevadas e inflação; Caio Megale, da XP, acredita que as tarifas devem ser reduzidas por meio de negociação.
O CEO da Global Eggs, Ricardo Faria, conhecido como “Rei do Ovo”, afirmou que a relação comercial Brasil–EUA tem sido positiva fora das manchetes. Ele destacou que o papel do governo brasileiro é atuar para evitar uma escalada de tensões entre os dois países.
Durante evento do Lide em São Paulo, Faria ressaltou que expandiu a atuação nos EUA, tornando-se o segundo maior produtor de ovos do país. Disse que o ambiente para investimentos lá é favorável, com tributação menor e prazos regulatórios mais ágeis, o que, na visão dele, contrasta com a situação no Brasil.
Segundo o empresário, manter a boa relação bilateral é crucial para evitar danos a investimentos e à cadeia produtiva. O governo americano tem sinalizado tarifas sobre produtos brasileiros, o que ele entende como um risco à cooperação econômica entre as nações.
Tarifas e diplomacia no foco
O governo dos EUA propõe tarifas que, somadas, podem chegar a 37,5% sobre exportações brasileiras. A medida inclui ainda uma sobretaxa de 12,5% ligada a alegações sobre trabalho forçado. O anúncio foi feito no início do mês pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA.
Para especialistas, a escalada de tensões pode impactar ainda as exportações brasileiras, que representam menos de 10% do total vendido pelo Brasil no exterior. A evitar a inflação e juros, a agenda deve priorizar a proteção de investimentos estrangeiros.
Perspectivas e opiniões técnicas
A economista Cassiana Fernandes, do JP Morgan, avaliou que o principal risco é a deterioração do ambiente comercial entre os dois países. Ela enfatizou que tarifas elevadas podem pressionar preços e a política monetária interna, caso aumentem custos para importação.
Ricardo Megale, economista-chefe da XP, afirmou que o Brasil tem chances de renegociar as tarifas, com possibilidade de retirada de produtos da lista e redução gradual de impostos. A aposta é por avanços diplomáticos que mantenham o Brasil atrativo aos investimentos.
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