- Trump declarou apoio aberto ao candidato Abelardo De la Espriella na Colômbia, chamando o adversário de “El Tigre” e mencionando a importância dos resultados para as relações com os Estados Unidos.
- Em outros países, Trump já já manifestou preferência por candidatos ou coalizões, às vezes acompanhando com ameaças ou tarifas — e, em alguns casos, o apoio não surtiu o efeito desejado.
- Especialistas destacam que o estilo atual é mais explícito e público que o de antecessores, com intervenção direta em eleições em curso, diferente do que ocorreu na era da Guerra Fria ou de governos anteriores.
- No Brasil, há expectativa de que temas de política externa e relações com os Estados Unidos ganhem peso na campanha, com histórico de medidas americanas que não garantiram o sucesso de Bolsonaro.
- A situação é vista como parte de uma erosão das normas de não interferência, impulsionada por duas correntes dentro do governo americano e pela maior articulção internacional da direita.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ampliou seu apoio público a candidatos estrangeiros, incluindo na Colômbia. No fim de maio, ele declarou apoio completo a Abelardo De La Espriella, da direita, que disputa o segundo turno pela presidência colombiana.
De La Espriella enfrentará Iván Cepeda, do Pacto Histórico, aliado de Gustavo Petro, no 2º turno marcado para 21 de junho. Trump parabenizou De La Espriella nas redes sociais, referindo-se a ele como o candidato favorito. A Colômbia é o caso mais recente deste padrão.
Cepeda classificou a intervenção como intervenção externa e pediu respeito à soberania colombiana. O episódio mostra a tendência de Trump de se posicionar abertamente a favor de candidatos alinhados ideologicamente, em vez de buscar ações discretas.
A prática de Trump em eleições estrangeiras já se observa em outros países, como Argentina, Honduras, Hungria e Japão, entre outros. Em muitos casos, o apoio explícito não garantiu vitória aos candidatos alinhados aos interesses do governo norte-americano.
Especialistas ouvidos pela BBC News Brasil destacam que, historicamente, a intervenção externa era mais velada. Hoje há uma forma mais explícita de pressão, com uso das redes sociais para influenciar votos e alianças.
Segundo analistas, a mudança envolve menos foco em estratégias de Estado e mais na lealdade declarada de líderes ao redor do mundo. O objetivo pode incluir moldar alinhamentos regionais, inclusive em relação a combate a cartéis de drogas.
A atuação de Trump também suscita questões sobre a soberania de países e o impacto nas relações bilaterais, que passam a depender de afinidades pessoais entre líderes. Em alguns casos, o efeito é de maior destabilização diplomática.
No Brasil, o tema ganhou destaque por envolver tarifas e sanções, anunciadas poucos dias após encontros entre autoridades brasileiras e o governo americano. Tais ações ocorreram num contexto de tensão entre Brasília e Washington.
Apesar de medidas punitivas, a influência direta de Trump sobre as eleições brasileiras não se mostrou suficiente para impedir avanços de adversários de esquerda. Em 2022, Lula abriu vantagem e venceu a eleição.
No debate público brasileiro, especialistas apontam que o envolvimento externo aumenta a percepção de interferência, o que pode fortalecer mensagens de soberania. Em 2018, o Brasil viveu uma polarização que alimentou especulações sobre influência externa.
Ao discutir o Brasil, há uma disputa interna entre grupos dentro da Casa Branca. Uma ala mais pragmática busca manter o foco em interesses estratégicos; outra, mais ideológica, defende maior apoio a governos de direita.
Dados históricos mostram que a interferência direta em eleições é relativamente rara, mas não inédita. Pesquisas indicam que esse tipo de atuação tende a ser mais audacioso quando há alinhamento com uma agenda de direita em várias regiões.
A percepção de interferência americana no Brasil tem gerado debates sobre impactos a longo prazo nas relações bilaterais. Pesquisas locais sugerem que a defesa da soberania pode aumentar o apoio a políticas nacionais.
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