- Durante a pandemia, Kim Jong-un aumentou a repressão interna, fechou a fronteira com a China e executou ou puniu quem distribuía conteúdo considerado antissocialista, além de desmantelar mercados informais para fortalecer o controle do regime.
- A Coreia do Norte continua a expandir seu arsenal nuclear, desenvolvendo mísseis balísticos de longo alcance e meios para alcançar o território continental dos Estados Unidos, com possível foco em submarinos nucleares.
- A aliança com a Rússia ganhou força, com envio de armas, tropas e apoio tecnológico, além de alimentos e petróleo; Moscou e Pyongyang assinaram acordo de defesa mútua e cooperação.
- A economia norte-coreana mostrou sinais de crescimento recente, com projetos de grande escala em infraestrutura, turismo e habitação, além de maior presença de bens e serviços na vida cotidiana, segundo especialistas e desertores.
- O regime passou a tolerar menos a influência externa e a conteúdo sul-coreano, buscando manter lealdade ao partido e reduzir impactos de culturas estrangeiras, segundo relatos de desertores e analistas.
Durante a pandemia, Kim Jong-un intensificou a repressão na Coreia do Norte, fechou a fronteira com a China e ordenou medidas de combate a atividades consideradas antissociais. O regime justificou ações duras como forma de preservar o controle diante de sanções internacionais, fome e desabastecimento.
Relatos de desertores e análises indicam que o líder consolidou o monopólio do poder ao desmantelar mercados informais, executando quem distribuía conteúdo sul-coreano. Ao mesmo tempo, expandiu o arsenal nuclear, contrariando pressões externas e ampliando a dissuasão regional.
A cooperação com a Rússia trouxe apoio militar e econômico, com envio de tropas, munições e tecnologia. Moscou forneceu tecnologia de defesa, além de alimentos e combustível, em troca de apoio estratégico, esvaziando parcialmente o isolamento de Pyongyang.
A reerguimento versus a economia interna
Especialistas destacam que o regime manteve investimentos pesados em infraestrutura, com grandes projetos urbanos, resorts e complexos industriais. Fontes indicam aumento de circulação de bens e serviços em Pyongyang, além de mais atividade econômica em cidades do interior, sob controle estatal.
O aumento do consumo interno diverge do quadro social, marcado por desnutrição relatada por organizações humanitárias e pela contínua vigilância contra conteúdos estrangeiros. Desaparece, porém, o cenário de racionamento amplo que caracterizou décadas anteriores.
Contexto internacional e cenário estratégico
Analistas apontam que a relação com a Rússia, fortalecida após a invasão à Ucrânia, ajudou a North Korea a contornar sanções e a modernizar defesas. A parceria inclui cooperação militar e troca de tecnologia, enquanto a Coreia do Norte tenta equilibrar laços com China e Rússia.
James Kim, pesquisador em assuntos norte-coreanos, afirma que o país conquistou maior influência regional nos últimos 30 anos. Segundo ele, o regime utiliza a aliança com Moscou para ampliar capacidades militares e expandir sua presença internacional.
Perspectivas sobre o panorama norte-coreano
Especialistas ressaltam que as mudanças internas, associadas ao acúmulo de poder de Kim Jong-un, ocorrem em meio a uma imagem pública de liderança firme, acompanhada de relatos de melhoria econômica por meio de projetos de grande escala. Desertores e estudos apontam uma continuidade de controles restritos sobre informações e cultura externa, sob pretexto de proteção estatal.
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