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UE acelera negociação com o Brasil por terras raras após acordo de Trump

Comissário europeu desembarca no Brasil para tratar parceria em terras raras e diversificar suprimentos críticos, buscando reduzir o domínio da China

Comissário europeu desembarca no País em busca de alternativas no setor de minerais críticos, dominado pela China e campo de avanço dos EUA
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  • A União Europeia acelera a negociação com o Brasil para garantir oferta de terras raras, em meio à compra da Serra Verde por mineradora norte‑americana e ao domínio da China no setor.
  • O comissário europeu de Parcerias Internacionais, Jozef Síkel, visita o Brasil entre 18 e 24 de junho, passando por Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília.
  • A UE busca diversificar a cadeia de suprimentos de minerais críticos, com foco em parcerias estáveis, investimentos produtivos e possível acordo de offtake para abastecer a Europa.
  • O Brasil pressiona para incluir beneficiamento e novos investimentos europeus no país, não apenas extração, e utiliza fundos do BEI para apoiar projetos de média a longo prazo.
  • O acordo pode se beneficiar das regras do acordo Mercosul–UE, que prevê preferências tarifárias para minerais e permite eventual controle brasileiro sobre exportações de terras raras.

A União Europeia intensifica a busca por terras raras no Brasil, tentando diversificar sua cadeia de suprimentos crítica diante da dominância chinesa e da pressão de EUA e China. O objetivo é assegurar fornecimentos para tecnologia e defesa, reduzindo vulnerabilidades em setores estratégicos da Europa.

O comissário europeu Jozef Síkela desembarca no Brasil entre 18 e 24 de junho para tratar do tema. A missão inclui visitas a Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília, com apoio do projeto Global Gateway e do Banco Europeu de Investimentos (BEI).

A delegação europeia dialoga com governantes e gestores de projetos, buscando firmar parcerias no Brasil para processamento, refino e produção de minerais críticos. O objetivo é criar uma cadeia de suprimentos segura, estável e menos dependente de fontes externas.

Contexto geopolítico

Funcionários europeus veem oportunidade de cooperação confiável diante da instabilidade global provocada pela disputa EUA-China. A UE propõe apoiar tecnologia, formação e investimentos produtivos alinhados a padrões climáticos e sociais europeus.

A crise de fornecimento de terras raras já levou Washington a investir no Brasil. A mineradora USA Rare Earth assumiu participação na Serra Verde, em Minaçu (GO), para explorar terras raras leves e pesadas, reforçando a busca por diversificação fora da China.

Colossus em Poços de Caldas

No sábado, 20 de junho, Síkela visita o projeto Colossus, da empresa Viridis, em Poços de Caldas (MG). O empreendimento está em avaliação de investimentos europeus como parte da estratégia de diversificação de fornecimento.

Brasília sinaliza que os acordos com a UE devem ir além da extração. O governo brasileiro tem defendido a inclusão de beneficiamento local e investimentos europeus para fomentar uma cadeia industrial no país.

Instrumentos de cooperação

A UE pretende avançar com um memorando de entendimentos, semelhante a acordos já firmados com Argentina e Chile, e explorar financiamento do BEI para projetos de médio a longo prazo. A parceria pode incluir deofftake e apoio a desenvolvimento industrial local.

O Brasil encaminha uma política nacional que privilegia acordos mais amplos, com foco no processamento e no refino de terras raras. O governo Lula ressalta a importância de parcerias que impulsionem a indústria local, não apenas a extração.

Marco regulatório e comércio regional

O eventual acordo pode se beneficiar das regras do acordo de comércio entre Mercosul e UE, vigente desde maio. Em caso de exportação, o instrumento pode prever preferências tarifárias e salvaguardas para facilitar o controle de saída de minerais.

Entre as metas está a diversificação de fornecedores europeus, com investimento em infraestrutura, tecnologia e capacitação. O BEI acompanha as tratativas com participação de técnicos, sem definição de montante pré-estabelecido.

Panorama atual

China continua líder em processamento de minerais críticos, respondendo por grande parte da produção global. A UE busca cooperação estável para reduzir dependência e ampliar participação europeia em cadeias de valor estratégicas.

O objetivo final é equilibrar o mercado global, proporcionando à Europa acesso estável a terras raras e outros minerais, com vantagens para suas indústrias de tecnologia, automotiva e defesa.

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