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Alemanha registra recorde de denúncias de discriminação

Alemanha registra recorde de denúncias de discriminação em mil_items 2025, com 13.067 casos, avanço de 15% e debate sobre reforma da Lei Antidiscriminação

A sede do Parlamento alemão (Bundestag), em Berlim, onde os deputados discutem reformas na Lei Antidisriminação.
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  • Em 2025, a Alemanha registrou o maior número de denúncias de discriminação já observadas, totalizando 13.067 casos, 15% a mais que no ano anterior.
  • O período anterior a 2025 também mostra que o total de denúncias quase triplicou desde 2019.
  • Entre as formas de discriminação, a racial respondeu por 43% das queixas, seguida por deficiência ou doença crônica (27%) e gênero (22%).
  • Os fatos ocorreram, principalmente, no ambiente de trabalho e no acesso a bens e serviços, saúde e atendimento por órgãos públicos.
  • Casos emblemáticos incluem uma menina de 11 anos enfrentando discriminação ao comprar sorvete e o caso de Humaira Waseem, professora paquistanesa que enfrentou recusa pela imobiliária, levando a decisão judicial que abriu precedente sobre testes de discriminação por origem.
  • A reforma da Lei Antidiscriminação, em discussão, propõe prazos maiores para denúncias (cinco meses) e mudanças, mas é criticada por manter limitações, como impedir ações contra órgãos públicos.

A Alemanha registrou 13.067 denúncias de discriminação em 2025, número recorde na série histórica. O registro aponta aumento de 15% em relação a 2024 e demonstração de crescimento contínuo desde 2019, quando o total era bem menor. O levantamento foi divulgado pela Agência Federal Antidiscriminação.

O total indica que discriminação por raça responde pela maior parcela, com 43% das denúncias, seguido por deficiência ou doença crônica com 27% e gênero com 22%. Demais categorias — idade, religião e identidade sexual — aparecem com menor incidência.

Os relatos mostram onde ocorrem as discriminações: principalmente no ambiente de trabalho, com anúncios de emprego, candidaturas rejeitadas ou assédio; em seguida vêm casos em serviços, saúde, assistência e interações com órgãos públicos.

Ferda Ataman, comissária federal antidiscriminação, diz que os dados de 2025 refletem um endurecimento do racismo na sociedade alemã, com atitudes enraizadas em certos setores. A agência aponta o cenário mais diverso do país, com cerca de 26% da população tendo origem migrante ou sendo descendente.

Mais de 22 milhões de pessoas, em um total de 83 milhões, compõem esse grupo migrante ou de segunda geração. Além disso, o ambiente político mais polarizado, com o crescimento de discursos antiimigrantes, é citado como contexto que potencializa as denúncias e a percepção de discriminação.

Entre os casos notórios estão situações envolvendo uma menina negra de 11 anos que teve o troco recusado por uma vendedora, que citou desconfiança com a frase citada pela imprensa; e o caso da professora Humaira Waseem, que integrou um teste de discriminação com nomes alemães diferentes para comprovar o viés de imobiliárias.

A professora abriu processo com base na lei antidiscriminação, resultando em uma condenação ao pagamento de 3000 euros de indenização pela imobiliária. A decisão, de fevereiro deste ano, abriu precedente sobre o uso de testes para detectar discriminação por origem ou nome.

A lei antidiscriminação completa 20 anos em 2026. A coalizão CDU/SPD sugere ajustes, como estender o prazo de denúncias de três para cinco meses, ainda aquém de outros países da UE, que permitem até cinco anos. A reforma enfrenta críticas por manter lacunas, especialmente quanto a ações contra órgãos públicos.

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